Setembro 17, 2025
Por Barbara Lemes
A inovação corporativa tem ganhado novos contornos em um cenário de restrições orçamentárias e pressão por resultados rápidos. Com menos recursos disponíveis, as empresas precisam ser mais estratégicas na hora de investir em novas ideias. Isso tem levado os times de inovação a repensar seus processos, buscando formas de demonstrar valor desde o início, com projetos bem direcionados, métricas claras e uma cultura que favoreça o aprendizado contínuo e colaborativo.
Essas questões estiveram no centro do episódio “Resultados e reinvenção em pauta: construindo o futuro dos negócios”, do podcast Jornada de Inovação, que reuniu especialistas da Hughes, ICL Brasil e PwC Agtech Innovation para discutir como reinventar os negócios sem perder o ritmo da transformação.
Este artigo apresenta os principais aprendizados da conversa, com práticas, visões e estratégias que ajudam a manter a inovação viva e relevante, mesmo em tempos desafiadores.
Para manter a relevância e a competitividade no mercado atual, é essencial que as empresas elaborem um planejamento estratégico robusto, com foco no cenário presente e nos objetivos futuros. Embora não exista uma fórmula única, seguir boas práticas, como definir prioridades, alinhar metas e engajar a liderança, aumenta significativamente as chances de sucesso.
A inovação, nesse contexto, precisa ser orientada por propósito e resultados. Isso exige precisão na filtragem de ideias e clareza sobre o valor que cada iniciativa pode gerar. “Inovação sem propósito é custo”, alertou João Pascoalino, gerente de serviços digitais da ICL Brasil. Para ele, é fundamental validar ideias antes de buscar escala, garantindo que estejam conectadas a entregas concretas para o cliente.
A disciplina na execução também é decisiva para o sucesso. Concentrar esforços em poucos projetos bem estruturados, fortalecendo processos e parcerias antes de buscar escala, é o que garante consistência e evita a dispersão de recursos. Como destacou Ricardo Amaral, VP de Vendas e Marketing B2B e Governo da Hughes, “apostar em múltiplas frentes sem foco pode comprometer a estratégia e dificultar a geração de valor real.”
Na rodada de recomendações práticas, os especialistas foram unânimes: o propósito é o que sustenta a inovação a longo prazo. Tanto na Hughes, quanto na ICL Brasil, a governança e a escuta ativa são fundamentais para ajustar iniciativas com agilidade e evitar desperdícios.
Para que a inovação gere resultados consistentes, ela precisa estar conectada ao propósito da organização. Ter clareza sobre o “porquê” de cada iniciativa ajuda a orientar decisões, manter o foco e garantir que os esforços estejam alinhados à estratégia do negócio. O propósito funciona como uma bússola, especialmente em contextos de transformação ou pressão por resultados.
Esse alinhamento permite que as empresas amadureçam ideias com consistência e façam ajustes de rota sempre que necessário. “Precisamos insistir no que acreditamos e amadurecer as ideias. Ter um objetivo traçado é caminho para obter os resultados esperados, mesmo que seja preciso recalcular a rota”, afirmou Amaral.
A conexão entre propósito e retorno também foi reforçada por Pascoalino, “a inovação tem que gerar retorno, mas isso só acontece com propósito, fluxo e constância.”
Durante a conversa, ficou claro que medir bem é tão importante quanto executar bem. Em ambientes pressionados por resultados, as métricas funcionam como um fio condutor para a inovação, ajudando a orientar decisões, validar hipóteses e garantir que os esforços estejam conectados à estratégia da empresa.
Segundo Pascoalino, na ICL Brasil, é essencial diferenciar metas e métricas e adaptá-las à maturidade da organização. As métricas de entrada ajudam a mapear o engajamento com o ecossistema, como número de ideias geradas, recursos investidos e parcerias estabelecidas. Já as métricas de saída mostram o impacto concreto das iniciativas, como novos serviços lançados, aumento de produtividade e resultados em vendas.
Para ele, “as métricas devem acompanhar o estágio de maturidade da empresa. Elas são essenciais para garantir consistência e orientar a jornada de inovação com foco em resultados.”
A cultura de aprendizado foi outro ponto central da conversa. Em contextos de inovação aberta, saber lidar com erros e ajustar o percurso rapidamente é essencial para evoluir com consistência e evitar desperdícios. A filosofia do fail fast — errar rápido, corrigir rápido — ganha força como prática que acelera a maturidade dos projetos.
Para que a inovação aconteça de forma sustentável, é preciso abrir espaço para testes. Segundo Clara Toledo, gestora de comunidade do PwC Agtech Innovation, "não se trata de seguir uma receita pronta, mas de construir caminhos a partir da escuta, da análise e da capacidade de se reinventar diante dos desafios. É preciso testar, descobrir e se reinventar quando algo sai do planejado.”
Essa postura também se reflete na forma como as empresas exploram novas oportunidades. Amaral compartilhou o exemplo da Hughes, que ampliou sua atuação ao se aproximar dos desafios do agronegócio. “Estar em um hub de inovação nos permite contato direto com as dores do agro. Estudamos os desafios reais e buscamos entregar ao cliente aquilo que ele ainda não sabe que precisa.”
Ao unir visão de futuro com execução disciplinada, as empresas conseguem não apenas sobreviver às turbulências do mercado, mas construir vantagem competitiva sustentável. A inovação, portanto, não é um destino, é uma jornada que se fortalece com cada passo bem planejado e cada aprendizado bem aproveitado.
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