Setembro 25, 2025
Por Barbara Lemes
A agricultura brasileira enfrenta um desafio cada vez mais frequente: o estresse climático, que inclui a exposição das plantas à alta radiação solar. Assim como nós, humanos, as plantas também podem contar com protetores solares adequados às necessidades de cada cultivo. Nesse mercado, a startup de nanotecnologia Revella encontrou a oportunidade de ir além.
Gabriel Nunes, CEO da Revella, explica que diferente de protetores convencionais, o produto desenvolvido pela startup não deixa resíduos esbranquiçados em folhas e frutos. Isso evita tanto a redução da absorção de luz quanto sucessivas lavagens no pós-colheita.
Outra vantagem de ter a nanotecnologia a serviço das lavouras, segundo o CEO, é o fato de o produto não atrapalhar a fotossíntese ativa, uma vez que forma um filme ultrafino, que não bloqueia a entrada de luz útil.
Sua dosagem é, ainda, dez vezes menor que a de produtos convencionais. Em termos de aplicação, o protetor é compatível com adjuvantes, inseticidas, desalojantes e repelentes, podendo ser usado em manejos integrados.
A ideia de criar o protetor solar por meio da nanotecnologia, não nasceu dentro do laboratório da Revella de forma isolada, mas sim, a partir de conversas diretas com produtores. A principal queixa deles, de acordo com o empreendedor, era que os protetores convencionais acabavam criando uma barreira física que bloqueava processos vitais da planta. O resultado eram desequilíbrios fisiológicos e perda de produtividade.
“O retorno dos produtores e dos técnicos sobre o produto foi muito positivo. Nos trouxeram que diminuiu sintomas de estresse térmico, como necroses e queimaduras solares, e gerou incrementos consistentes de produtividade, associados a plantas mais equilibradas e fisiologicamente ativas, além de mais bem estruturadas”, diz Alexsandra Valerio, engenheira de alimentos e CTO da Revella.
Na formulação, o protetor conta com nanopartículas de carbonato de cálcio e compostos orgânicos. De um lado, os compostos orgânicos reduzem a geração de espécies reativas de oxigênio (EROS), comuns em situações de estresse térmico, conforme a empresa. Já o nano carbonato de cálcio ajuda a fortalecer a parede celular e manter íntegros os tecidos foliares.
O protetor solar da Revella, já disponível no mercado, apresentou resultados variados em diferentes culturas e a redução média na temperatura foliar chegou a 4ºC.
Soja e milho: Redução do estresse térmico em períodos críticos (florescimento e enchimento de grãos), resultando em melhor pegamento e maior peso de grãos.
Café: Diminuição da queima de folhas e frutos, além de maior uniformidade de maturação.
Algodão: Redução da abscisão de estruturas reprodutivas em condições de alta radiação.
Trigo: Maior integridade foliar durante as fases de enchimento, com maior taxa fotossintética.
Segundo Nunes, o público-alvo da inovação é o mercado B2B, com foco em médios e grandes produtores rurais, cooperativas, distribuidores de insumos, técnicos e consultores agrícolas, que atuam como multiplicadores e validadores da eficiência da tecnologia em campo.