Março 5, 2026
A presença feminina no agronegócio brasileiro tem se consolidado como um pilar estratégico para a inovação e sustentabilidade, mas a equidade de gênero ainda enfrenta obstáculos significativos nas estruturas de poder. É o que aponta o novo estudo "Protagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro", realizado pelo PwC Agtech Innovation. A pesquisa combinou dados quantitativos e qualitativos e revela uma dissonância entre o reconhecimento do valor da diversidade e a prática no dia a dia das empresas do setor.
O agronegócio brasileiro permanece marcado por uma forte predominância masculina. Segundo o levantamento, em 59% das companhias dos entrevistados a tomada de decisão é vista como sendo de responsabilidade exclusiva dos homens. Apenas em 17% das situações são definidas por mulheres. O equilíbrio entre gêneros é percebido em apenas 22% dos casos.
“Ainda existem oportunidades relevantes para ampliar a presença feminina em posições decisórias de forma efetiva, o que representa não apenas o fortalecimento da governança, da competitividade e da sustentabilidade do agronegócio, mas também um fator de avanço social, capaz de provocar mudanças estruturais”, avalia Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócios da PwC Brasil.
Homens e mulheres respondentes reconhecem as contribuições importantes da presença feminina no agronegócio, especialmente em três pilares centrais: inovação e visão estratégica (49%), liderança e gestão (44%) e adaptação e resiliência (44%). Esses aspectos revelam o papel das mulheres em abrir espaço para novas soluções, engajar equipes e enfrentar os desafios constantes do setor.
“As mulheres atuam de forma consistente em diferentes níveis da cadeia produtiva, contribuindo para processos decisórios qualificados e ambientes de negócios diversos”, completa, Mayra Theis.
Persistem desigualdades no mercado agro, sobretudo, relacionadas a oportunidades e remuneração feminina, acesso a cargos de decisão e condições de trabalho. A pesquisa aponta que 73% dos participantes da pesquisa discordam que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades no setor.
Entre as mulheres, os principais desafios de carreira elencados dizem respeito à falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, salários incompatíveis com as funções e ausência de reconhecimento.
Conforme a pesquisa, 79% dos homens e mulheres reconhecem que elas enfrentam situações constrangedoras no trabalho. E 74% dos participantes também entendem que faltam condições adequadas para mães nos ambientes profissionais.
Para alcançar a equidade de gênero, as mulheres reforçam a demanda por apoio financeiro ao empreendedorismo feminino e salários justos para lideranças femininas (30% contra 9% dos homens).
O estudo destaca a necessidade de maior engajamento masculino para avanço da pauta da equidade. Embora 47% dos homens acreditem ter papel importante nesta agenda, eles não se veem como protagonistas da mudança. Apenas 39% entendem que devem liderar discussões e tomadas de decisão sobre o tema.
O principal obstáculo para a ação masculina, citada por 34% das mulheres e 16% dos homens, é a ausência de referência e a dificuldade de saber como agir. Há uma percepção de "dissonância cognitiva": o problema é reconhecido, mas os indivíduos não se responsabilizam pela solução.
“A reinvenção do setor depende da capacidade de integrar talentos, fomentar o diálogo e construir soluções coletivas para desafios cada vez mais complexos. Ao promovermos ambientes mais justos e colaborativos, fortalecemos não apenas nossas empresas, mas também a sociedade", destaca Dirceu Ferreira Júnior, CEO do PwC Agtech Innovation e sócio da PwC Brasil.
O estudo conclui que equipes diversas demonstraram ser capazes de ampliar o repertório de soluções e fortalecer a governança. Isso passa por revisar políticas de contratação, promoção e sucessão, assegurando igualdade de oportunidades; oferecer condições adequadas à parentalidade e envolver os homens e líderes nas discussões e engajá-los sobre seu papel no avanço da equidade.
“Só conseguiremos superar as barreiras que limitam a equidade de gênero com ações práticas que promovam um ambiente inclusivo”, finaliza Mayra Theis.
Baixe aqui o report completo.
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