GeoIA reduz em mais de 80% custos de pulverização com uso de IA no campo

Agtech criada na UFMS combina ciência e inteligência artificial para viabilizar aplicações localizadas em cana-de-açúcar e soja

Por Fernanda Cavalcante, Analista sênior de Mercado e Marca do PwC Agtech Innovation.

GeoIA atua em uma das etapas mais sensíveis da operação agrícola: a pulverização de defensivos, que responde por uma parcela relevante dos custos dentro da porteira. Fundada dentro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a agtech desenvolveu uma tecnologia baseada em inteligência artificial aplicada a análises geoespaciais de alta precisão, capaz de mapear lavouras e transformar dados técnicos em aplicações localizadas de defensivos.

A solução identifica falhas e linhas de plantio, plantas daninhas e anomalias específicas ao longo da área cultivada. Além do diagnóstico, a tecnologia converte essa leitura em direcionamento operacional, permitindo que a pulverização ocorra apenas nos pontos onde há necessidade, tornando o uso de insumos mais racional e preciso.

“Ao direcionar a pulverização apenas para os pontos necessários, reduzimos significativamente o uso de insumos. Em comparações com o método tradicional, observamos reduções que podem superar 82%, o que se traduz em eficiência operacional e financeira, além de maior controle sobre os custos e decisões mais bem informadas no campo”, afirma Caio Reina, CRO da GeoIA.

Pedro Cavalcante, CEO da GeoIA, explica que a velocidade de processamento é um fator decisivo para o sucesso do manejo, especialmente em culturas de ciclo curto. “Na soja, por exemplo, o ciclo produtivo é de cerca de 120 dias, e a resposta precisa ser rápida. Nossa arquitetura foi desenvolvida especificamente para cenários complexos do agro, combinando precisão técnica e velocidade operacional”. 

Da pesquisa acadêmica à aplicação em escala

A GeoIA surgiu a partir de pesquisas acadêmicas conduzidas na UFMS, onde permaneceu incubada por três anos. Os modelos próprios de inteligência artificial foram desenvolvidos no Laboratório de Geomática e Inteligência Artificial da universidade e sua tecnologia tem base em cerca de 120 artigos científicos publicados pelos pesquisadores do projeto.

O ponto de virada ocorreu quando a tecnologia passou a ser aplicada em um projeto conduzido em ambiente industrial, a partir de uma demanda do setor sucroenergético. O desafio era mapear linhas e falhas de plantio em aproximadamente 60 mil hectares de cana‑de‑açúcar. O que começou como pesquisa acadêmica ganhou escala operacional após a estruturação, validação e entrega do primeiro modelo funcional em um intervalo de dez dias, o que demonstrou a viabilidade da solução ser aplicada em larga escala.

A partir dessa experiência, a GeoIA passou a estruturar sua operação comercial. Esse movimento ganhou impulso com a entrada de Pedro Cavalcante, CEO, e Caio Reina, CRO, executivos com experiência prévia de mercado, aproximando a base científica de uma estratégia orientada à aplicação prática e à expansão em operações produtivas. 

Atualmente, a tecnologia da GeoIA vem sendo aplicada em operações de grande porte no setor sucroenergético. A startup atua hoje em 7 dos 10 maiores grupos sucroenergéticos do Brasil e, na safra 2024/25, teve mais de 2 milhões de hectares processados com sua tecnologia.

Pulverização localizada orientada por dados

Diferente da pulverização tradicional, que aplica herbicidas em área total, a GeoIA adota uma abordagem de aplicação localizada orientada por dados. O processo começa com o mapeamento de alta resolução da lavoura, realizado por drones que capturam imagens detalhadas do campo.

Essas imagens são processadas por uma arquitetura proprietária de deep learning, treinada a partir da base científica desenvolvida pelos fundadores. A tecnologia identifica padrões visuais e agronômicos capazes de diferenciar culturas agrícolas de diferentes classes de plantas daninhas, mesmo em ambientes com variabilidade de relevo, solo e estágio fenológico. 

A partir dessa leitura, o sistema gera mapas de aplicação localizada que indicam com precisão onde a pulverização deve ocorrer. Essas informações são integradas aos sistemas embarcados das máquinas agrícolas, que executam a aplicação de defensivos de forma direcionada, reduzindo o uso de insumos em áreas sem necessidade de intervenção.

Do ponto de vista operacional, a adoção da tecnologia não exige a substituição do parque de máquinas. A maioria dos pulverizadores modernos já opera com mapas de aplicação e leitura de arquivos geoespaciais. “O produtor utiliza os equipamentos que já possui. Entregamos os dados no formato que as máquinas entendem, incorporando inteligência a um processo que já faz parte da rotina das operações”, diz o CEO.

Olhando para o futuro, a GeoIA trabalha na ampliação de suas capacidades técnicas e de mercado. Alguns dos objetivos são: fortalecer a atuação em grãos, expandir a identificação de plantas daninhas e avançar na estrutura operacional para captura de imagens, acompanhando a demanda crescente por soluções que aliem eficiência econômica, precisão agronômica e escalabilidade no campo.

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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