Março 25, 2026
Marina Salles, Líder técnica do PwC Agtech Innovation
O Radar Agtech Brasil contabilizou 2.075 agtechs em 2025 no Brasil, 5% a mais do que no ano anterior. O crescimento moderado indica maior maturidade do ecossistema e consolidação de modelos de negócio, de acordo com os realizadores (Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens).
O destaque do relatório deste ano diz respeito à inteligência artificial, amplamente disseminada entre as agtechs. Segundo o levantamento, 83% das empresas utilizam IA em seus processos ou produtos, e 35% delas têm a IA como núcleo da proposta de valor. “Esse dado sinaliza que a tecnologia digital deixou de ser diferencial pontual e passou a constituir camada estrutural do modelo de negócio”, afirma Aurélio Favarin, coordenador do Radar Agtech e analista da Embrapa.
No ecossistema de startups, essa lógica se materializa na preferência por modelos que utilizam IA como motor de decisão e não apenas como ferramenta de apoio. Sistemas de recomendação agronômica, modelos preditivos climáticos, plataformas de gestão operacional e soluções de automação passaram a ser avaliados pela capacidade de transformar dados em decisões acionáveis no tempo certo.
As regiões Sudeste e Sul concentram a presença das agtechs, com 55,2% e 23,7%, respectivamente. Porém, os dados mostram crescimento nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste de forma gradual.
A região Sudeste continua a contar com o maior número de hubs, aceleradoras e ecossistemas com governança, o que mostra uma fase mais avançada de maturidade, orientada ao desenvolvimento de negócios. O Sul, por outro lado, ultrapassou o Sudeste em número total de ambientes de inovação, especialmente focados nas etapas iniciais, com número expressivo de incubadoras. Dos 390 ambientes mapeados no país, 37,18% estão no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e 32,82% em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Entre 2019 e 2021 houve um boom de ambientes de inovação e fundos de investimento, o que contribuiu para um grande aumento na quantidade de agtechs. “Com o tempo essas iniciativas vão se acomodando, com permanência daquelas mais bem estruturadas. É um comportamento esperado”, diz, em nota, o pesquisador da Embrapa Vitor Mondo.
As agtechs brasileiras estão predominantemente nos segmentos dentro da fazenda (41,1%) e depois da fazenda (40,5%). A categoria “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares” lidera o ranking das áreas de atuação, com 15% das agtechs. “Sistemas de gestão da propriedade rural” vem em segundo lugar com 8%. As “Plataformas integradoras de sistemas, soluções e dados” aparecem em terceiro, com 7,5% das startups analisadas.
De acordo com os dados, em 2025 o estado do Amazonas conta com 17 agtechs, Goiás com 15 e Mato Grosso com 14. Minas Gerais e Rondônia, que respectivamente dispõem de 13, foram os estados que mais ganharam agtechs. Registraram redução no número de agtechs Rio Grande do Sul (menos 27), Tocantins e Distrito Federal (menos 7) e São Paulo (menos 6).
“Essa tendência ocorre ao mesmo tempo em que cresce a proporção das agtechs atuando dentro das fazendas. Isso é um sinal positivo, de que as empresas estão em um nível de maturidade no qual já conseguem acessar diretamente o produtor rural”, avalia Mondo.