Veículos de inovação no agronegócio: como escolher as ferramentas certas para fazer rodar a esteira de projetos

Da eficiência operacional à inovação disruptiva, entender as diferentes formas de inovar é fundamental para transformar estratégia em impacto real no negócio.

Maio 8, 2026

Por Barbara Lemes, Analista de Mercado e Marca do PwC Agtech Innovation

Cada vez mais, a inovação deixou de ser opção e se tornou essencial para o crescimento das empresas, impulsionada pelo avanço tecnológico, busca contínua de eficiência operacional e preocupação com a sustentabilidade dos negócios. 

Embora exista um consenso sobre a necessidade de inovar, escolher qual caminho seguir pode ser desafiador. Diferentes estratégias atendem objetivos distintos, e uma das chaves para gerar impacto real no negócio é saber analisar, caso a caso, os melhores veículos para fazer a inovação acontecer.

Mas afinal, o que é um veículo de inovação?

Veículos de inovação são ferramentas ou estratégias que as empresas utilizam para implementar processos de inovação. Esses mecanismos ampliam a capacidade das organizações de acessar conhecimento, tecnologias e soluções.  

Um exemplo bastante conhecido é o desafio de startups. Nessa abordagem, a empresa lança um problema ou oportunidade específica e convida startups a apresentarem caminhos possíveis. Além de acelerar a busca por respostas inovadoras, esse tipo de iniciativa permite testar tecnologias, explorar novos modelos de negócios e estabelecer parcerias estratégicas de forma mais ágil do que modelos tradicionais. 

Os veículos de inovação apoiam desde o desenvolvimento interno de novas tecnologias – por meio de áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) – até iniciativas de inovação aberta, em que a busca por soluções para um problema se dá fora dos muros da organização (com suporte, por exemplo, de hubs e consultorias especializadas, como o PwC Agtech Innovation).

Para que servem os veículos de inovação?

Em meio ao vasto oceano azul de oportunidades no agro, muitas empresas percebem que o grande desafio não está apenas em inovar, mas em escolher as ferramentas de inovação certas, que serão capazes de conduzir a empresa na direção e na velocidade necessárias para transformar o seu negócio. 

A analogia é simples: em alto-mar, a escolha entre bússola, lupa ou GPS não pode ser aleatória. Tudo depende de onde se quer chegar e de como se pretende fazer esse percurso. Nas empresas, isso vai depender se o destino é um novo mercado, a busca por um ganho incremental de eficiência ou a criação de um novo produto. Além disso, é indispensável refletir se o trajeto precisa ser mais rápido, mais seguro ou mais eficiente em capital.

Quais são os principais veículos de inovação?

Depois de entender aonde se quer chegar e alinhar expectativas internas, a empresa precisa tomar algumas decisões práticas, como definir orçamento, prazos e formas de atuação. É nesse momento que passa a fazer sentido olhar detalhadamente para os veículos de inovação e entender quais ferramentas são mais eficazes para cada tipo de desafio. 

Entre os principais veículos de inovação, destacam-se: 

- Chamada Aberta: Nessa abordagem, a organização convida atores externos (como startups, pesquisadores e universidades) para apresentar propostas que enderecem seus desafios. As ideias selecionadas avançam para etapas de aprofundamento, validação e execução. Essa ferramenta ajuda a resolver problemas que a organização não poderia enfrentar sozinha, promovendo soluções conjuntas e auxiliando na detecção de tendências de mercado ou novas tecnologias.

- Scouting: Essa prática é adotada por organizações que buscam solucionar desafios estratégicos de negócios sem divulgação pública. Nesse processo, a empresa realiza uma pesquisa detalhada para identificar tecnologias que possam atender sua necessidade. Essa abordagem é comumente empregada para estabelecer parcerias estratégicas, monitorar tendências de mercado, identificar atores com ideias inovadoras e avaliar oportunidades de investimento ou aquisição de startups.

- Ideathons: São eventos de curta duração, em que equipes multidisciplinares se reúnem para criar, explorar e selecionar ideias, além de resolver um desafio específico, normalmente definido pelos organizadores. Essa ferramenta pode ser utilizada para diversas finalidades como: estimular novas perspectivas sobre um mesmo problema, engajar diferentes perfis e áreas, fomentar a cultura de inovação, identificar oportunidades estratégicas e apoiar a priorização de ideias para desenvolvimento posterior. 

- Programa Multi Stakeholder: Iniciativa que reúne diversos atores do ecossistema, como empresas, startups, academia, investidores, mentores, pesquisadores e outros participantes com o propósito de abordar um desafio complexo por meio de discussões e colaboração conjunta.

Um exemplo notável é o case do Programa Soja Sustentável do Cerrado (PSSC), que foi promovido pelo Land Innovation Fund (LIF) em parceria com o PwC Agtech Innovation, com apoio da Cargill, CPQD, Embrapa e Embrapii. O programa nasceu com a meta ambiciosa de fomentar o empreendedorismo e a inovação em prol da produção de soja livre de desmatamento. A execução do projeto contou com diversas etapas e envolveu diversos atores, incluindo produtores rurais, empreendedores, pesquisadores e empresas.

- CVC (Corporate Venture Capital): Modalidade de fundo de investimento criado pelas empresas com o objetivo de obter benefícios estratégicos, como acesso a novas tecnologias, mercados e inovação. Os CVCs são utilizados para impulsionar a inovação dentro das corporações e se caracterizam por aportes minoritários em startups, tanto em estágios iniciais quanto mais avançados dos negócios.

- M&A (Mergers and Acquisitions): Processo no qual empresas adquirem ou se fundem a outras empresas, sendo uma estratégia de crescimento inorgânico para expandir operações, ganhar acesso a novos mercados, tecnologias, produtos ou recursos.

- Hub de inovação: Os hubs, assim como o PwC Agtech Innovation, são catalisadores da inovação e permitem às corporações aproveitar ao máximo o kit de ferramentas que dão suporte à realização dos seus projetos. Por meio de metodologias estruturadas e consultoria profissional. Os hubs também operacionalizam o uso dessas múltiplas ferramentas e capacitam os times internos das empresas para que obtenham os melhores resultados. Funcionam, ainda, como ponto de encontro para troca de experiências e conhecimentos entre diferentes stakeholders.

- Venture Building: Trata-se de um modelo estruturado de criação de startups, no qual novas empresas são concebidas, testadas, lançadas e escaladas, com recursos, equipe e governança centralizados pela “empresa-mãe”. Diferente de acelerar ou investir em startups já existentes, esse mecanismo cria negócios do zero, dentro das empresas, aproveitando recursos, estruturas, processos e inteligências de negócios mais amplos.  O foco é aproveitar a estrutura, mas manter a cultura ágil e simplificada.

Veículo de inovação Descrição

Chamada aberta

Modelo em que a organização convida atores externos, como startups, pesquisadores e universidades, para apresentar propostas que solucionem desafios específicos. As ideias selecionadas avançam para etapas de aprofundamento, validação e execução, promovendo soluções conjuntas e detectando tendências de mercado.

Scouting

Busca direcionada e confidencial por tecnologias ou parceiros inovadores para solucionar desafios estratégicos, sem divulgação pública. Utilizada para parcerias, monitoramento de tendências e identificação de oportunidades de investimento ou aquisição.
Ideathons Eventos de curta duração que reúnem equipes para criar, explorar e selecionar ideias, resolvendo desafios específicos. Estimula novas perspectivas, engaja diferentes áreas e fomenta a cultura de inovação.
Programa Multi Stakeholder Iniciativa colaborativa envolvendo diferentes atores do ecossistema, como empresas, startups, academia, investidores e mentores. Aborda desafios complexos por meio de discussões e colaboração conjunta.
CVC (Corporate Venture Capital) Fundo de investimento criado por empresas com o objetivo de obter benefícios estratégicos, como acesso a novas tecnologias, mercados e inovação, por meio de aportes geralmente minoritários em startups.
M&A (Mergers and Acquisitions) Processo de aquisição ou fusão de empresas como estratégia de crescimento inorgânico, visando expandir operações, acessar novos mercados, tecnologias e recursos.
Hub de inovação Ecossistema catalisador que fornece suporte, metodologias e consultoria para projetos de inovação, capacitando times internos e promovendo networking entre diferentes stakeholders.
Venture Building Modelo estruturado de criação de startups internas, com recursos, equipe e governança centralizados, permitindo a criação de novos negócios de forma ágil dentro das empresas.

Além dos veículos de inovação citados acima, vale dizer que existem outras abordagens - como as plataformas online, que dão acesso a soluções inovadoras de startups; bem como os centros de pesquisa e desenvolvimento, onde especialistas da própria organização trabalham na criação de novas tecnologias e produtos.

Qual veículo de inovação minha empresa deve priorizar?

Para quem busca uma resposta definitiva, a conclusão pode frustrar: depende. Depende da estratégia corporativa, do nível de ambição com os projetos de inovação e dos resultados esperados. Quando esses elementos não estão claros, a inovação corre o risco de se tornar uma atividade isolada, desconectada do negócio e com baixo impacto real.

Vale mais a pena promover um ideathon ou lançar um desafio de inovação aberta com startups? Talvez, pelo risco de abrir meu desafio para a concorrência, será que a opção ideal é um scouting?  Ou devo investir no longo prazo e montar um programa de inovação multi stakeholder?

Para todas essas perguntas, não existe uma resposta única. O que existe é a necessidade de alinhar objetivos estratégicos, conhecer os veículos de inovação do mercado e entender qual mecanismo se adequa mais ao que foi planejado. 

Como escolher a melhor opção?

Para garantir o alinhamento entre a estratégia e inovação, é fundamental avaliar metas e objetivos considerando diferentes horizontes de tempo - curto, médio e longo prazo. 

A metodologia dos horizontes de inovação, auxilia nesse processo e divide os projetos em três grupos:

 

 

H1: Eficiência e otimização do core business

 

 

 

 

O primeiro horizonte concentra-se na otimização dos processos e produtos existentes, buscando melhorias contínuas e eficiência operacional. Geralmente, demanda menos esforço imediato e também tem um impacto financeiro menor.

 

 

 

 

H2: Expansão de mercado

 

 

 

 

O segundo horizonte foca na exploração de oportunidades em mercados adjacentes, em que a empresa pode expandir a oferta dos seus produtos e serviços. 

 

 

 

 

H3: Inovação disruptiva e novos modelos de negócio

 

 

 

 

O terceiro horizonte é dedicado à inovação disruptiva em novos mercados e envolve a criação de produtos ou serviços inteiramente novos, além de revolucionários. Embora o terceiro horizonte exija mais tempo de maturação, produtos criados nesse contexto podem gerar impacto financeiro significativo no longo prazo.

 

 

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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