Diversidade de gênero como motor de inovação, sustentabilidade e crescimento
A equidade de gênero vem se consolidando como um fator estratégico para a transformação do agronegócio brasileiro. Em um setor que representa cerca de um quarto do Produto Interno Bruto do país, ampliar a participação feminina fortalece a capacidade de inovar, adaptar-se e crescer de forma sustentável.
O estudo “Protagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro”, desenvolvido pelo PwC Agtech Innovation, reúne dados, percepções e experiências que revelam como a diversidade está diretamente conectada à reinvenção do setor e por que agir agora é essencial para garantir a competitividade no longo prazo.
Esta é a terceira edição dessa iniciativa que busca promover o debate sobre diversidade de gênero no agronegócio, iniciada em 2021 e realizada de forma bianual. O objetivo é mapear o perfil das mulheres no setor, compreender suas experiências e ampliar o debate sobre diversidade, inovação e inclusão.
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Pressões por sustentabilidade, inovação tecnológica e novos modelos de gestão exigem organizações mais resilientes, colaborativas e conectadas à sociedade. No agronegócio brasileiro, persistem barreiras estruturais que limitam o pleno aproveitamento do potencial feminino, como a baixa presença em cargos de decisão, desigualdade salarial e acesso restrito a oportunidades. Este estudo mostra que avançar na agenda de equidade não é apenas uma questão social, é uma decisão estratégica.
da tomada de decisão no ambiente do agronegócio brasileiro é percebida como sendo dos homens, em um contexto majoritariamente masculino
dos respondentes afirmam que os homens rara ou eventualmente se posicionam no debate de equidade de gênero
Mesmo em contextos com maior presença feminina, a tomada de decisão segue, em grande parte, sob o comando dos homens, de acordo com o recorte dos respondentes da pesquisa.
Esse cenário evidencia uma desconexão entre o discurso sobre diversidade e a realidade das estruturas de poder, reforçando a necessidade de mudanças sistêmicas.
Apesar dos avanços, a percepção de desigualdade permanece elevada e reforça a urgência de ações estruturadas e contínuas. A maioria dos respondentes reconhece que mulheres ainda enfrentam:
Tanto para homens quanto para mulheres, as raízes da desigualdade no setor estão ligadas principalmente à cultura e à socialização (família, ambiente de trabalho e mídia).
* Cada respondente escolheu até três fatores
Tanto para homens quanto para mulheres, as raízes da desigualdade no setor estão ligadas principalmente à cultura e à socialização (família, ambiente de trabalho e mídia).
* Cada respondente escolheu até três fatores
A presença feminina é reconhecida como fator de geração de valor, em relação a diferentes aspectos que revelam o papel das mulheres em abrir espaço para novas soluções, engajar equipes e enfrentar os desafios constantes do setor.
Como a presença feminina fortalece o agronegócio*
* Cada respondente escolheu até três fatores
O engajamento e o compromisso dos homens são peças-chave para a equidade de gênero no agronegócio, já que eles ainda ocupam a maioria dos espaços de poder, liderança e decisão.
Quando perguntados sobre qual deve ser a atuação dos homens na pauta da equidade de gênero no agronegócio, os participantes da pesquisa têm percepções diferentes:
A principal barreira percebida para o envolvimento dos homens com a igualdade de gênero no agronegócio é a ausência de referências ou dificuldade de saber como agir, seguida da falta de conscientização e da priorização de outras demandas. As mulheres, de modo geral, tendem a apontar essas barreiras com mais frequência, o que revela uma percepção mais crítica quanto à falta de engajamento masculino.
O que impede os homens de agir*
* Cada respondente escolheu até três fatores
Equipes diversas ampliam repertórios, fortalecem processos decisórios e impulsionam a inovação. A presença equilibrada de homens e mulheres no agronegócio contribui para ambientes mais resilientes, colaborativos e conectados às comunidades. A diversidade não é apenas uma tendência: é um compromisso com a sustentabilidade, a competitividade e a perenidade do agronegócio.
Para transformar intenção em impacto, as organizações podem adotar um roteiro de ação baseado em seis frentes:
Revisar políticas de contratação, promoção e sucessão, assegurando igualdade de oportunidades.
Criar programas de mentoria e capacitação voltados a mulheres, a fim de fortalecer habilidades técnicas e de liderança.
Oferecer condições adequadas à parentalidade, como licenças mais equitativas e políticas de flexibilidade.
Reconhecer e valorizar publicamente o protagonismo feminino, dando visibilidade às trajetórias inspiradoras.
Envolver os homens e líderes nas discussões e engajá-los sobre seu papel no avanço da equidade, para estimular posicionamentos ativos contra práticas discriminatórias.
Monitorar indicadores de inclusão e diversidade para tornar o tema uma prioridade estratégica.
Essas medidas fortalecem o setor para competir em um mercado cada vez mais exigente e orientado por propósito.
“Temos testemunhado uma transformação profunda no agronegócio brasileiro, impulsionada pela coragem de mulheres e homens que desafiam paradigmas, promovem inclusão e ampliam oportunidades para todos os agentes da cadeia produtiva. Acreditamos que ambientes diversos são mais resilientes e criativos."
“Ainda existem relevantes oportunidades para ampliar a presença feminina em posições decisórias de forma efetiva, o que representa não apenas o fortalecimento da governança, da competitividade e da sustentabilidade do agronegócio, mas também um fator de avanço social, capaz de provocar mudanças estruturais.”
“O estudo mostra que, embora todos reconheçam o problema, muitos não se veem como parte dele nem assumem a busca por soluções. Essa dissonância cognitiva decorre da falta de espaço para reflexão e de percepções diferentes sobre papéis e responsabilidades. Ao mesmo tempo, as mulheres demonstram preparo e potencial para atuar plenamente no mercado, reforçando a necessidade de maior alinhamento e engajamento para impulsionar mudanças reais.”
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