Protagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro

Diversidade de gênero como motor de inovação, sustentabilidade e crescimento

A equidade de gênero vem se consolidando como um fator estratégico para a transformação do agronegócio brasileiro. Em um setor que representa cerca de um quarto do Produto Interno Bruto do país, ampliar a participação feminina fortalece a capacidade de inovar, adaptar-se e crescer de forma sustentável.

O estudo “Protagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro”, desenvolvido pelo PwC Agtech Innovation, reúne dados, percepções e experiências que revelam como a diversidade está diretamente conectada à reinvenção do setor e por que agir agora é essencial para garantir a competitividade no longo prazo.

Esta é a terceira edição dessa iniciativa que busca promover o debate sobre diversidade de gênero no agronegócio, iniciada em 2021 e realizada de forma bianual. O objetivo é mapear o perfil das mulheres no setor, compreender suas experiências e ampliar o debate sobre diversidade, inovação e inclusão. 

79%

concordam que mulheres ainda enfrentam situações constrangedoras no ambiente de trabalho

78%

percebem que mulheres negras são menos representadas em cargos no agronegócio

75%

reconhecem que homens e mulheres não têm as mesmas oportunidades no agronegócio

74%

avaliam que o setor ainda oferece poucas condições favoráveis para as mães

Protagonismo e impacto: a presença das mulheres no agronegócio brasileiro

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O valor estratégico do protagonismo feminino

Pressões por sustentabilidade, inovação tecnológica e novos modelos de gestão exigem organizações mais resilientes, colaborativas e conectadas à sociedade. No agronegócio brasileiro, persistem barreiras estruturais que limitam o pleno aproveitamento do potencial feminino, como a baixa presença em cargos de decisão, desigualdade salarial e acesso restrito a oportunidades. Este estudo mostra que avançar na agenda de equidade não é apenas uma questão social, é uma decisão estratégica.

 

45%

da tomada de decisão no ambiente do agronegócio brasileiro é percebida como sendo dos homens, em um contexto majoritariamente masculino

59%

dos respondentes afirmam que os homens rara ou eventualmente se posicionam no debate de equidade de gênero

Gênero e poder de decisão

Mesmo em contextos com maior presença feminina, a tomada de decisão segue, em grande parte, sob o comando dos homens, de acordo com o recorte dos respondentes da pesquisa. 

Esse cenário evidencia uma desconexão entre o discurso sobre diversidade e a realidade das estruturas de poder, reforçando a necessidade de mudanças sistêmicas.

Diversidade no Agronegócio
Mulheres
Homens
Não informado

Ambiente masculino, decisão masculina
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Equilíbrio entre homens e mulheres em geral e na decisão
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Ambiente feminino, decisão masculina
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Ambiente masculino, decisão feminina
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Ambiente feminino, decisão feminina
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Onde persistem as desigualdades

Apesar dos avanços, a percepção de desigualdade permanece elevada e reforça a urgência de ações estruturadas e contínuas. A maioria dos respondentes reconhece que mulheres ainda enfrentam:

Tanto para homens quanto para mulheres, as raízes da desigualdade no setor estão ligadas principalmente à cultura e à socialização (família, ambiente de trabalho e mídia).

Fatores que reforçam a desigualdade entre homens e mulheres no setor*
Mulheres
Homens

Tradição familiar/criação
%
%
Ambiente de trabalho
%
%
Mídia, história e cultura popular
%
%
Sistemas educacionais
%
%
Influência de amigos e colegas
%
%
Legislação e políticas públicas
%
%
Redes sociais e internet
%
%
Outro
%
%

* Cada respondente escolheu até três fatores

74%

mais barreiras para alcançar cargos de liderança

70%

menos representatividade em eventos e espaços do agro

67%

políticas de contratacao que favorecem mais os homens

60%

menos chances de promoção

Tanto para homens quanto para mulheres, as raízes da desigualdade no setor estão ligadas principalmente à cultura e à socialização (família, ambiente de trabalho e mídia).

Fatores que reforçam a desigualdade entre homens e mulheres no setor*
Mulheres
Homens

Tradição familiar/criação
%
%
Ambiente de trabalho
%
%
Mídia, história e cultura popular
%
%
Sistemas educacionais
%
%
Influência de amigos e colegas
%
%
Legislação e políticas públicas
%
%
Redes sociais e internet
%
%
Outro
%
%

* Cada respondente escolheu até três fatores

A força das mulheres no agronegócio

A presença feminina é reconhecida como fator de geração de valor, em relação a diferentes aspectos que revelam o papel das mulheres em abrir espaço para novas soluções, engajar equipes e enfrentar os desafios constantes do setor.

Como a presença feminina fortalece o agronegócio*

* Cada respondente escolheu até três fatores

O papel dos homens na equidade de gênero

O engajamento e o compromisso dos homens são peças-chave para a equidade de gênero no agronegócio, já que eles ainda ocupam a maioria dos espaços de poder, liderança e decisão.

Quando perguntados sobre qual deve ser a atuação dos homens na pauta da equidade de gênero no agronegócio, os participantes da pesquisa têm percepções diferentes:

47%

acreditam que eles têm um papel importante e devem se posicionar, mas não como protagonistas

39%

entendem que também devem liderar a pauta, promover discussões e participar das decisões

11%

veem os homens como aliados, mas sem envolvimento direto

3,5%

defendem que os homens não devem se envolver

A principal barreira percebida para o envolvimento dos homens com a igualdade de gênero no agronegócio é a ausência de referências ou dificuldade de saber como agir, seguida da falta de conscientização e da priorização de outras demandas. As mulheres, de modo geral, tendem a apontar essas barreiras com mais frequência, o que revela uma percepção mais crítica quanto à falta de engajamento masculino.

O que impede os homens de agir*

* Cada respondente escolheu até três fatores

Diversidade de gênero como motor da reinvenção

Equipes diversas ampliam repertórios, fortalecem processos decisórios e impulsionam a inovação. A presença equilibrada de homens e mulheres no agronegócio contribui para ambientes mais resilientes, colaborativos e conectados às comunidades. A diversidade não é apenas uma tendência: é um compromisso com a sustentabilidade, a competitividade e a perenidade do agronegócio.

Roteiro de ação para o setor

Para transformar intenção em impacto, as organizações podem adotar um roteiro de ação baseado em seis frentes:



1

Revisar políticas de contratação, promoção e sucessão, assegurando igualdade de oportunidades.



2

Criar programas de mentoria e capacitação voltados a mulheres, a fim de fortalecer habilidades técnicas e de liderança.



3

Oferecer condições adequadas à parentalidade, como licenças mais equitativas e políticas de flexibilidade.



4

Reconhecer e valorizar publicamente o protagonismo feminino, dando visibilidade às trajetórias inspiradoras.



5

Envolver os homens e líderes nas discussões e engajá-los sobre seu papel no avanço da equidade, para estimular posicionamentos ativos contra práticas discriminatórias.



6

Monitorar indicadores de inclusão e diversidade para tornar o tema uma prioridade estratégica.

Essas medidas fortalecem o setor para competir em um mercado cada vez mais exigente e orientado por propósito.

“Temos testemunhado uma transformação profunda no agronegócio brasileiro, impulsionada pela coragem de mulheres e homens que desafiam paradigmas, promovem inclusão e ampliam oportunidades para todos os agentes da cadeia produtiva. Acreditamos que ambientes diversos são mais resilientes e criativos."
Dirceu Junior
Sócio da PwC Brasil e Líder do PwC Agtech Innovation
“Ainda existem relevantes oportunidades para ampliar a presença feminina em posições decisórias de forma efetiva, o que representa não apenas o fortalecimento da governança, da competitividade e da sustentabilidade do agronegócio, mas também um fator de avanço social, capaz de provocar mudanças estruturais.”
Mayra Theis
Sócia e Líder de Agribusiness da PwC Brasil
“O estudo mostra que, embora todos reconheçam o problema, muitos não se veem como parte dele nem assumem a busca por soluções. Essa dissonância cognitiva decorre da falta de espaço para reflexão e de percepções diferentes sobre papéis e responsabilidades. Ao mesmo tempo, as mulheres demonstram preparo e potencial para atuar plenamente no mercado, reforçando a necessidade de maior alinhamento e engajamento para impulsionar mudanças reais.”
Renato Souza
Diretor de Inclusão, Diversidade e
Sustentabilidade Corporativa da PwC Brasil

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Dirceu Ferreira Junior

Dirceu Ferreira Junior

Sócio e Líder do PwC Agtech Innovation, PwC Brasil

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