CEOs bem-sucedidos devem ser capazes de identificar riscos imediatos, ao mesmo tempo em que mantêm uma visão estratégica voltada a oportunidades de longo prazo. Essa tensão entre diferentes horizontes de tempo é um tema central da 29ª CEO Survey e se destaca também na indústria de energia e serviços de utilidade pública (EU&R) no Brasil.
No curto prazo, o cenário é de maior cautela. Os CEOs do setor mostram menor confiança no crescimento imediato de suas empresas e priorizam os riscos macroeconômicos. O risco climático é incorporado às decisões estratégicas, porém de forma ainda limitada e concentrada em poucos processos, embora, em alguns casos, em patamar superior às médias nacional e global. Além disso, 50% dos líderes já competem em novas indústrias, acompanhando a reconfiguração da economia global.
Liderar nesse contexto exige capacidade de alternar rapidamente entre agendas e horizontes de tempo. Nessa indústria, os CEOs brasileiros dedicam 56% do tempo a temas com horizonte inferior a um ano, contra apenas 11% a questões de longo prazo – uma concentração superior à média global (47%) e alinhada ao padrão observado no país.
Resta avaliar se essa alocação de tempo é a mais adequada para sustentar o desempenho e a competitividade no curto e no longo prazo.
57%
33%
50%
Daniel Martins
Sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública, PwC Brasil