O Barômetro de Empregos de IA 2026 da PwC analisou mais de um bilhão de anúncios de vagas em seis continentes. A conclusão central: a IA está abrindo um mercado de trabalho de duas vias, no qual o julgamento e a liderança pesam cada vez mais e são cada vez mais bem remunerados. As empresas que ganham mais em produtividade com IA não estão cortando custos, estão contratando mais gente e pagando salários mais altos.
No Brasil, esse movimento ganha contornos próprios. A contratação de profissionais com competências em IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A participação dessas vagas no total do mercado saltou de 1,1% para 3,6%, o equivalente a quase 119 mil novas oportunidades abertas apenas no último ano.
Desde 2022, quando a adoção da IA ganhou velocidade, as empresas mais expostas à tecnologia passaram a registrar ganhos de produtividade da força de trabalho muito superiores aos das menos expostas, e essa vantagem triplicou nesse período. No grupo mais avançado, o quinto das empresas com maior exposição alcança um crescimento médio de produtividade de 163%.
No Brasil, a contratação de profissionais em IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A fatia de vagas que exigem competências em IA saltou de 1,1% para 3,6%. Outro indicador, mesma direção.
As empresas que mais ganham em produtividade com IA no mundo não usam a tecnologia apenas para cortar custos. Usam também para melhorar o desempenho humano e gerar valor.
O quadro de pessoal cresce mais rapidamente nas empresas mais expostas à IA do que nas menos expostas. Longe de eliminar empregos, a IA parece expandi-los quando serve para impulsionar crescimento e abrir mercados. Os salários seguem o mesmo caminho. Sobem mais rápido nas áreas com maior exposição à IA.
A IA “profissionaliza” algumas funções, exigindo mais expertise humana. E “democratiza” outras, tornando-as mais acessíveis a quem não é especialista. No plano global, os empregos profissionalizados crescem duas vezes mais rápido do que os democratizados, com salários que sobem 42% a mais.
No Brasil, o quartil mais exposto à IA respondeu por 2,5 milhões de vagas em 2025 – quatro vezes mais do que o quartil menos exposto. Todos os quartis registraram queda no número de vagas entre 2024 e 2025, sinal de redução generalizada na contratação, mesmo com a IA em alta.
As competências exigidas pelas ocupações mais expostas à IA estão mudando a um ritmo mais de duas vezes superior ao das funções menos expostas. Essa diferença aumentou 75% em relação ao que observamos no ano passado.
Mais importante, as novas tarefas incorporadas às funções mais expostas à IA têm 2,5 vezes mais probabilidade de depender de competências como empatia, capacidade de julgamento e criatividade, habilidades que se tornam ainda mais valiosas à medida que a IA assume parte das atividades rotineiras.
No Brasil, a distância também aumenta à medida que cresce a exposição à IA. As ocupações mais expostas passam por uma transformação de competências mais de duas vezes superior à das menos expostas. Entre 2021 e 2025, a mudança líquida média chegou a 1,43 no quartil superior, ante 0,64 no inferior. Esse avanço também se reflete na incorporação de novas competências: são, em média, 314 novas habilidades por ocupação no grupo mais exposto, contra 88 no menos exposto.
A trajetória tradicional de progressão profissional está ficando mais curta. Globalmente, nas ocupações iniciais mais expostas à IA, é sete vezes mais provável que as vagas exijam competências tradicionalmente associadas a profissionais mais experientes, como liderança e pensamento estratégico, do que as funções de entrada menos expostas à tecnologia.
Ao mesmo tempo, embora o número total de vagas para profissionais em início de carreira tenha se estagnado nos setores mais expostos à IA, as posições de entrada que já demandam competências de nível mais sênior cresceram 35% desde 2019. Isso exige que as organizações repensem a forma como desenvolvem e capacitam seus profissionais, preparando-os para assumir decisões mais complexas muito mais cedo na carreira.