Barômetro de Empregos de IA 2026

Dois futuros para os empregos na era da IA

Barômetro de Empregos de IA 2026
  • Agosto 06, 2026

O Barômetro de Empregos de IA 2026 da PwC analisou mais de um bilhão de anúncios de vagas em seis continentes. A conclusão central: a IA está abrindo um mercado de trabalho de duas vias, no qual o julgamento e a liderança pesam cada vez mais e são cada vez mais bem remunerados. As empresas que ganham mais em produtividade com IA não estão cortando custos, estão contratando mais gente e pagando salários mais altos.

No Brasil, esse movimento ganha contornos próprios. A contratação de profissionais com competências em IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A participação dessas vagas no total do mercado saltou de 1,1% para 3,6%, o equivalente a quase 119 mil novas oportunidades abertas apenas no último ano.

40%

de vantagem em produtividade para as empresas mais expostas à IA no mundo, na comparação com as menos expostas.

2x

mais rápido é o quanto as competências exigidas para a maioria das funções mais expostas à IA do que nas menos expostas.

42%

mais rápido sobem os salários dos empregos “profissionalizados” pela IA. Esses postos, além disso, crescem no dobro da velocidade dos "democratizados". Esse fosso vem se abrindo desde 2021.

7x

mais chance de precisar de competências sêniores (liderança, por exemplo) têm os profissionais juniores mais expostos à IA que os menos expostos.

Ganhos de produtividade e ampliação da contratação

Desde 2022, quando a adoção da IA ganhou velocidade, as empresas mais expostas à tecnologia passaram a registrar ganhos de produtividade da força de trabalho muito superiores aos das menos expostas, e essa vantagem triplicou nesse período. No grupo mais avançado, o quinto das empresas com maior exposição alcança um crescimento médio de produtividade de 163%.

No Brasil, a contratação de profissionais em IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A fatia de vagas que exigem competências em IA saltou de 1,1% para 3,6%. Outro indicador, mesma direção.

Salários e quadro de pessoal em alta

As empresas que mais ganham em produtividade com IA no mundo não usam a tecnologia apenas para cortar custos. Usam também para melhorar o desempenho humano e gerar valor. 

O quadro de pessoal cresce mais rapidamente nas empresas mais expostas à IA do que nas menos expostas. Longe de eliminar empregos, a IA parece expandi-los quando serve para impulsionar crescimento e abrir mercados. Os salários seguem o mesmo caminho. Sobem mais rápido nas áreas com maior exposição à IA.

Mercado exibe duas trajetórias

A IA “profissionaliza” algumas funções, exigindo mais expertise humana. E “democratiza” outras, tornando-as mais acessíveis a quem não é especialista. No plano global, os empregos profissionalizados crescem duas vezes mais rápido do que os democratizados, com salários que sobem 42% a mais.

No Brasil, o quartil mais exposto à IA respondeu por 2,5 milhões de vagas em 2025 – quatro vezes mais do que o quartil menos exposto. Todos os quartis registraram queda no número de vagas entre 2024 e 2025, sinal de redução generalizada na contratação, mesmo com a IA em alta.

Transformação de competências

As competências exigidas pelas ocupações mais expostas à IA estão mudando a um ritmo mais de duas vezes superior ao das funções menos expostas. Essa diferença aumentou 75% em relação ao que observamos no ano passado.

Mais importante, as novas tarefas incorporadas às funções mais expostas à IA têm 2,5 vezes mais probabilidade de depender de competências como empatia, capacidade de julgamento e criatividade, habilidades que se tornam ainda mais valiosas à medida que a IA assume parte das atividades rotineiras.

No Brasil, a distância também aumenta à medida que cresce a exposição à IA. As ocupações mais expostas passam por uma transformação de competências mais de duas vezes superior à das menos expostas. Entre 2021 e 2025, a mudança líquida média chegou a 1,43 no quartil superior, ante 0,64 no inferior. Esse avanço também se reflete na incorporação de novas competências: são, em média, 314 novas habilidades por ocupação no grupo mais exposto, contra 88 no menos exposto. 

Mudanças no início da carreira

A trajetória tradicional de progressão profissional está ficando mais curta. Globalmente, nas ocupações iniciais mais expostas à IA, é sete vezes mais provável que as vagas exijam competências tradicionalmente associadas a profissionais mais experientes, como liderança e pensamento estratégico, do que as funções de entrada menos expostas à tecnologia.

Ao mesmo tempo, embora o número total de vagas para profissionais em início de carreira tenha se estagnado nos setores mais expostos à IA, as posições de entrada que já demandam competências de nível mais sênior cresceram 35% desde 2019. Isso exige que as organizações repensem a forma como desenvolvem e capacitam seus profissionais, preparando-os para assumir decisões mais complexas muito mais cedo na carreira.

Próximos passos para líderes empresariais

  • Use a IA como alavanca de crescimento, não apenas de eficiência. Vá além da redução de custos para criar fontes de receita, entrar em novos mercados e desenvolver novas formas de gerar valor, inclusive por meio de parcerias que ultrapassem as fronteiras tradicionais entre setores. 
  • Reavalie as competências exigidas pelas funções. Entenda como a IA está transformando o conhecimento e as habilidades necessárias para cada cargo, orientando investimentos em talentos e no desenvolvimento de competências. 
  • Invista em agentes de IA como complemento à expertise humana. Ao contar com equipes de agentes de IA, os profissionais podem ampliar muito o alcance e o impacto de suas capacidades exclusivamente humanas. 
  • Reinvente o início da jornada profissional. Redesenhe os programas de integração, mentoria e capacitação para acelerar o desenvolvimento de competências avançadas, como liderança, gestão de stakeholders e tomada de decisões estratégicas. 
  • Desenvolva competências humanas com a mesma intensidade que as competências em IA. Empatia, discernimento, criatividade e liderança se tornam ainda mais valiosos à medida que a IA assume tarefas rotineiras.

Análise setorial

Assim como no cenário global, o setor de tecnologia, mídia e telecomunicações lidera a demanda por profissionais de IA. Em 2025, cerca de 13% das vagas abertas no setor no Brasil já estavam relacionadas à tecnologia, praticamente uma em cada oito novas posições – proporção muito próxima da observada globalmente.

O movimento indica que o setor permanece como o principal polo difusor da IA, tanto no desenvolvimento quanto na incorporação da tecnologia em produtos e serviços.

Os serviços profissionais também reproduzem a tendência global de rápida expansão da IA. O setor ocupa a segunda posição em intensidade de contratação no Brasil e apresenta uma das maiores participações de vagas voltadas ao desenvolvimento da tecnologia.

Consultorias, escritórios de advocacia e empresas de serviços especializados parecem avançar simultaneamente em duas frentes: incorporar IA aos processos internos e desenvolver soluções próprias para seus clientes.

O setor confirma uma tendência observada globalmente: embora não seja o mais exposto à IA, apresenta uma intensidade de contratação superior à de segmentos tradicionalmente mais digitais, como os serviços financeiros. No Brasil, o setor também se destaca pela participação de vagas para desenvolvedores de IA (11%), sugerindo investimentos em aplicações industriais específicas.

O setor financeiro perde protagonismo relativo na contratação de profissionais de IA para os segmentos de tecnologia e serviços profissionais. A participação de vagas destinadas ao desenvolvimento de IA é relativamente baixa: pouco acima de 5% das posições. Os esforços são maiores na adoção e integração de soluções existentes.

Globalmente, o setor de energia, utilities e recursos naturais apresenta menor exposição à IA do que outros setores, mas vem aumentando rapidamente a contratação de profissionais com essas competências.

O Brasil apresenta comportamento semelhante. Embora concentre a maior parcela das vagas do mercado de trabalho brasileiro (cerca de 20% do total), sua intensidade de contratação em IA permanece intermediária. Além disso, 92% das vagas relacionadas à tecnologia se destinam ao uso da IA, e não ao seu desenvolvimento.

No cenário global, o segmento se destaca pelos maiores prêmios salariais para funções relacionadas a IA. No Brasil, o setor apresenta um perfil voltado à adoção da tecnologia. Aproximadamente 97% das vagas relacionadas à IA se destinam a usuários, o que representa a maior proporção entre todos os setores analisados. 

O resultado indica que o foco está em disseminar ferramentas de IA entre as funções de negócio, como marketing, vendas, atendimento e operações, muito mais do que desenvolver modelos próprios.

O setor continua sendo um dos menos intensivos em contratação de IA, tanto globalmente quanto no Brasil. Mesmo assim, diferencia-se pela maior participação relativa de vagas voltadas ao desenvolvimento da tecnologia: quase 30%, o que revela uma concentração maior na criação de soluções altamente especializadas.

O setor está entre os menos intensivos na contratação de IA, o que reflete uma adoção mais gradual da tecnologia. Assim como ocorre no mundo, o impacto parece se dar principalmente pela transformação das atividades existentes, e não pela criação de novas funções. 

No Brasil, predominam vagas voltadas ao uso de ferramentas de IA, o que indica uma estratégia de modernização de processos administrativos e prestação de serviços, mais do que o desenvolvimento interno de capacidades tecnológicas.

Barômetro de Empregos de IA 2026

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Camila Cinquetti

Camila Cinquetti

Sócia, PwC Brasil

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