A indústria de data centers cresce rapidamente, com investimentos previstos de US$ 1 trilhão até 2027, impulsionados pelo avanço da inteligência artificial e de outras tecnologias digitais. Esse crescimento envolve hyperscalers, operadores, desenvolvedores, provedores de energia e investidores que buscam ampliar escala, confiabilidade e eficiência. Com o aumento da demanda por poder computacional e energia, otimizar a infraestrutura existente torna-se essencial para garantir resiliência, enquanto o setor precisa equilibrar expansão rápida com riscos geopolíticos, desafios na cadeia de suprimentos e pressões energéticas.
A demanda por data centers cresce impulsionada por avanços tecnológicos, especialmente IA, machine learning e IA generativa, que exigem GPUs de alto consumo energético e novas soluções de refrigeração. A expansão de cloud, edge computing e IoT também aumenta o uso de infraestrutura digital. Com o consumo global de energia de data centers podendo dobrar até 2026, operadores enfrentam competição por energia, custos elevados e riscos climáticos, o que exige eficiência energética e integração de renováveis.
A expansão de data centers também se tornou uma questão geopolítica, com países buscando reduzir a dependência de infraestrutura concentrada em regiões de risco. Desastres naturais, instabilidade política e mudanças regulatórias impulsionam estratégias de diversificação. Ao mesmo tempo, governos oferecem incentivos para atrair investimentos digitais, mas impõem leis rigorosas de soberania de dados, privacidade e segurança nacional. Tensões comerciais e restrições à exportação de tecnologias críticas, como chips de IA, evidenciam a fragilidade das cadeias globais de suprimentos.
Disrupções na cadeia de suprimentos atrasam projetos de data centers e elevam custos, especialmente de semicondutores, armazenamento, sistemas de refrigeração e geradores. Tarifas e controles de exportação também restringem o acesso a componentes críticos, pressionando as empresas a diversificar fornecedores e regiões. Para aumentar a resiliência, operadores adotam planejamento estratégico, diversificação de sourcing e colaboração com fornecedores. Medidas táticas, como listas de fornecedores aprovados, avaliações de desempenho, e-procurement e previsão de demanda, ajudam a antecipar escassez e garantir a disponibilidade de materiais essenciais para sustentar o crescimento do setor.
Desenvolvedores e investidores de data centers enfrentam escassez de terrenos, limitações de energia e maior competição por capital, o que dificulta obter retorno sobre o investimento. Com a dificuldade de garantir espaço em mercados mais desenvolvidos, a seleção de locais passa a priorizar a disponibilidade de energia, a eficiência de custos e a conectividade. A crescente demanda eleva preços de terrenos e torna decisões mais complexas. Nesse cenário, parcerias estratégicas, joint ventures e M&A, apoiadas por due diligence e avaliação de riscos, ajudam empresas a entrar em novos mercados, otimizar custos e alcançar crescimento escalável.
A expansão de data centers exige uma gestão de riscos robusta para que problemas em uma instalação sejam comunicados e tratados em todo o portfólio. Governança integrada entre equipes de construção e TI ajuda a reduzir interrupções e manter continuidade operacional. O rápido crescimento da infraestrutura e das cadeias de suprimentos complexas também ampliam a superfície de ataque, aumentando os riscos de segurança cibernética e física. Para mitigá-los, as organizações devem adotar estruturas integradas de gestão de riscos, fortalecer protocolos de segurança e investir em tecnologias avançadas de monitoramento para proteger infraestruturas críticas.
Escalar data centers é um grande desafio para hyperscalers e operadores, que precisam implantar infraestrutura rapidamente, mantendo eficiência operacional para atender à demanda crescente de IA. Isso exige coordenação entre reguladores, concessionárias e fornecedores, além de lidar com designs em evolução e processos complexos. A expansão também aumenta a demanda por talentos especializados, como engenheiros e profissionais de TI, exigindo investimentos em capacitação e no uso de serviços gerenciados.
A expansão de data centers exige colaboração entre construção, energia e TI. Parcerias entre hyperscalers, provedores de energia e desenvolvedores impulsionam soluções sustentáveis e eficientes. A escolha de locais considera riscos climáticos e acesso a energia renovável, enquanto investimentos em refrigeração eficiente e hardware otimizado reduzem custos. Integrar estratégias de energia renovável e avaliação de riscos climáticos também ajuda empresas a aumentar eficiência, cumprir regulações e avançar metas de emissões líquidas zero.
O Brasil vem ganhando destaque como possível hub de IA, impulsionado pela combinação de energia renovável abundante, incentivos fiscais e conectividade robusta. Regiões como o Nordeste oferecem vantagem competitiva devido à forte geração eólica e solar, inclusive em períodos de excesso de energia, o que permite contratos de energia mais baratos para data centers. Já São Paulo e Rio de Janeiro concentram infraestrutura de rede, backbones de fibra e baixa latência, consolidando-se como polos de nuvem e colocation, com a possibilidade de contratar energia renovável remotamente para atender às metas de descarbonização.
Para que o país evolua de edge regional para hub global de IA, será essencial coordenar oferta de energia limpa, conectividade e segurança jurídica para contratos de longo prazo. Avanços regulatórios, como a MP 1.318/2025 (REDATA), reduzem os custos de implantação ao reduzir impostos sobre equipamentos e obras de data centers. Além disso, maior transparência de dados do sistema elétrico permite identificar excedentes de energia renovável e comprovar sustentabilidade – fatores importantes para atrair hyperscalers globais e transformar as vantagens estruturais do Brasil em investimentos concretos.
Com a rápida expansão do ecossistema de data centers, stakeholders como hyperscalers, operadores, desenvolvedores, fornecedores de energia e investidores enfrentam desafios para sustentar o crescimento do setor. Aqueles que adotarem estratégias ágeis e bem estruturadas estarão mais preparados para capturar as oportunidades desse mercado em aceleração.
Apoiamos stakeholders ao longo de todo o ciclo de vida dos data centers, com experiência em gestão de riscos e cibersegurança, estratégia energética, otimização de projetos e da cadeia de suprimentos, sustentabilidade, adaptação regulatória, transações e compliance tributário.
Daniel Martins
Sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública, PwC Brasil