Em 2026, a mudança estrutural na demanda de energia vai impulsionar as atividades de M&A no setor de energia, serviços de utilidade pública e recursos (EU&R). Os agentes de mercado já estão reposicionando portfólios e alocando capital por meio de parcerias e consórcios para mitigar riscos e gerar valor de longo prazo.
Uma nova dinâmica de demanda, marcada pela combinação entre transformação tecnológica, resiliência energética e estratégia de capital, tende a redefinir o mercado global de fusões e aquisições (M&A) nos setores de energia, serviços de utilidade pública e recursos (EU&R) em 2026.
A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) e da infraestrutura de data centers pressiona a demanda por energia elétrica, água e minerais críticos, reorganizando as prioridades de investimento em toda a cadeia de valor do setor. Não é uma retomada cíclica: é uma mudança estrutural na forma como ativos de energia e infraestrutura são avaliados, financiados e negociados.
Como resultado, escala, agilidade e resiliência vão definir as atividades de M&A em 2026. Os operadores de M&A estão priorizando ativos capazes de entregar retorno no curto prazo e fluxos de caixa previsíveis, ao mesmo tempo que asseguram cadeias de fornecimento e buscam equilíbrio entre descarbonização, acessibilidade e segurança energética.
Diversos segmentos convergem para um objetivo comum: ampliar a capacidade disponível para atender à crescente demanda digital. São eles:
As necessidades de capital em infraestrutura crescem rapidamente, e o capital privado se torna essencial nesse cenário. Investidores financeiros, soberanos e fundos de crédito privado fornecem a escala, a flexibilidade e as estruturas de compartilhamento de risco necessárias para financiar infraestrutura de energia, rede elétrica e infraestrutura digital e de saneamento.
Ao mesmo tempo, empresas estratégicas aderem a essas plataformas por meio de consórcios e modelos de coinvestimento, alinhando capital de longo prazo com capacidade operacional e previsibilidade de demanda.
“A aceleração da demanda por energia, impulsionada pela IA e pela expansão dos data centers, já produz efeitos concretos no Brasil. A combinação entre uma matriz energética diversificada, um amplo pipeline de projetos em energia e saneamento e maior previsibilidade regulatória reposiciona o país como um polo relevante de oportunidades em M&A. O desafio para os operadores será estruturar transações que conciliem escala, resiliência e disciplina de capital em um ambiente marcado por juros elevados e transformações regulatórias.”
Daniel Martins
Sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública, PwC Brasil