A busca global por escala, eficiência e transformação tecnológica encontra no Brasil instituições com diferentes necessidades de capital e distribuição. Aportes, parcerias, participações minoritárias, aquisições de carteiras e vendas de controle estão entre os caminhos para financiar o crescimento e reforçar a posição competitiva.
A nova metodologia de capital mínimo considera as atividades exercidas, as formas de captação e o uso de infraestrutura tecnológica. Em estimativa preliminar, o Banco Central calculou que 679 das 1.751 instituições avaliadas poderiam ficar abaixo dos novos limites em janeiro de 2028, caso mantenham os saldos considerados no estudo. A adaptação pode estimular combinações, embora as instituições disponham de caminhos para se adequar sem vender o negócio.
Modernizar sistemas, proteger dados e aplicar IA em escala demanda investimentos e equipes especializadas. As aquisições permitem incorporar soluções já desenvolvidas e reduzir o tempo de acesso a novas capacidades.
Para bancos médios e fintechs, expandir as operações significa financiar carteiras maiores e arcar com custos regulatórios e tecnológicos. As fintechs pesquisadas pela PwC Brasil e pela ABCD, por exemplo, ampliaram em 51% o crédito concedido em 2025, para R$ 53,8 bilhões. Essa expansão abre espaço para associações com instituições que ofereçam capital e financiamento. Para os grandes bancos, essas transações representam uma oportunidade de incorporar originação, canais e negócios especializados.
Na gestão de recursos e patrimônio, grandes grupos buscam aquisições para ampliar a distribuição e incorporar novas estratégias, enquanto gestoras independentes procuram sócios para financiar investimentos e planejar a sucessão. Boutiques com desempenho consistente e conhecimento especializado despertam interesse por acrescentar competências à oferta de empresas maiores.
A internacionalização das carteiras amplia essa lógica: oferecer investimentos no exterior requer acesso a produtos, custódia e infraestrutura cambial, que podem ser incorporados por meio de parcerias ou aquisições.
O crescimento dos FIDCs estende as oportunidades aos serviços que sustentam as operações de crédito privado. Administrar mais fundos e recebíveis aumenta a demanda por gestão, controles e tecnologia. A compra da Tercon pela Kanastra ilustra como uma aquisição pode reunir especialização e capacidade operacional para atender a esse mercado.
A diversidade de oportunidades pede clareza sobre o que cada transação deve entregar. Para empresas compradoras, isso significa identificar as capacidades que complementam sua estratégia e avaliar o investimento e a integração necessários para aproveitá-las.
Do lado dos potenciais alvos, informações confiáveis, governança e riscos identificados permitem demonstrar o valor do negócio e dão às partes melhores condições para negociar.
“As novas exigências de capital e o custo crescente de tecnologia devem levar mais instituições financeiras a avaliar aportes, parcerias ou combinações. Para os compradores, a oportunidade está em adquirir carteiras, canais e capacidades que fortaleçam sua posição competitiva, desde que os riscos e a integração estejam bem dimensionados.”
Lindomar Schmoller,sócio e líder de Serviços Financeiros da PwC Brasil