Do global ao local: as tendências e forças que podem impulsionar o M&A em serviços financeiros no Brasil

Do global ao local: as tendências e forças que podem impulsionar o M&A em serviços financeiros no Brasil
  • Outubro 29, 2026

Regulação, capital, tecnologia e busca por escala devem produzir diferentes ciclos de consolidação entre bancos, fintechs, gestoras de recursos e wealth managers.

A busca global por escala, eficiência e transformação tecnológica encontra no Brasil instituições com diferentes necessidades de capital e distribuição. Aportes, parcerias, participações minoritárias, aquisições de carteiras e vendas de controle estão entre os caminhos para financiar o crescimento e reforçar a posição competitiva.

Capital e regulação ampliam a pressão

A nova metodologia de capital mínimo considera as atividades exercidas, as formas de captação e o uso de infraestrutura tecnológica. Em estimativa preliminar, o Banco Central calculou que 679 das 1.751 instituições avaliadas poderiam ficar abaixo dos novos limites em janeiro de 2028, caso mantenham os saldos considerados no estudo. A adaptação pode estimular combinações, embora as instituições disponham de caminhos para se adequar sem vender o negócio.

Tecnologia aproxima bancos e fintechs

Modernizar sistemas, proteger dados e aplicar IA em escala demanda investimentos e equipes especializadas. As aquisições permitem incorporar soluções já desenvolvidas e reduzir o tempo de acesso a novas capacidades.

Para bancos médios e fintechs, expandir as operações significa financiar carteiras maiores e arcar com custos regulatórios e tecnológicos. As fintechs pesquisadas pela PwC Brasil e pela ABCD, por exemplo, ampliaram em 51% o crédito concedido em 2025, para R$ 53,8 bilhões. Essa expansão abre espaço para associações com instituições que ofereçam capital e financiamento. Para os grandes bancos, essas transações representam uma oportunidade de incorporar originação, canais e negócios especializados.

Escala e especialização orientam aquisições

Na gestão de recursos e patrimônio, grandes grupos buscam aquisições para ampliar a distribuição e incorporar novas estratégias, enquanto gestoras independentes procuram sócios para financiar investimentos e planejar a sucessão. Boutiques com desempenho consistente e conhecimento especializado despertam interesse por acrescentar competências à oferta de empresas maiores.

A internacionalização das carteiras amplia essa lógica: oferecer investimentos no exterior requer acesso a produtos, custódia e infraestrutura cambial, que podem ser incorporados por meio de parcerias ou aquisições.

O crescimento dos FIDCs estende as oportunidades aos serviços que sustentam as operações de crédito privado. Administrar mais fundos e recebíveis aumenta a demanda por gestão, controles e tecnologia. A compra da Tercon pela Kanastra ilustra como uma aquisição pode reunir especialização e capacidade operacional para atender a esse mercado.

Preparação para executar

A diversidade de oportunidades pede clareza sobre o que cada transação deve entregar. Para empresas compradoras, isso significa identificar as capacidades que complementam sua estratégia e avaliar o investimento e a integração necessários para aproveitá-las.

Do lado dos potenciais alvos, informações confiáveis, governança e riscos identificados permitem demonstrar o valor do negócio e dão às partes melhores condições para negociar.

“As novas exigências de capital e o custo crescente de tecnologia devem levar mais instituições financeiras a avaliar aportes, parcerias ou combinações. Para os compradores, a oportunidade está em adquirir carteiras, canais e capacidades que fortaleçam sua posição competitiva, desde que os riscos e a integração estejam bem dimensionados.”

Lindomar Schmoller,sócio e líder de Serviços Financeiros da PwC Brasil

Do global ao local: as tendências e forças que podem impulsionar o M&A em serviços financeiros no Brasil

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Lindomar Schmoller

Lindomar Schmoller

Sócio e líder de Serviços Financeiros, PwC Brasil

Daniel Aranha

Daniel Aranha

Sócio, PwC Brasil

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