A Pesquisa Global de Investidores 2025 mostra que, diante do baixo crescimento global e do maior pessimismo no Brasil, investidores estão cautelosos e priorizam empresas resilientes. Eles valorizam inovação com tecnologia – especialmente IA – aliada a disciplina, governança sólida e resultados comprovados. Também apoiam parcerias e aceitam retornos no médio prazo, desde que haja transparência. Empresas que equilibrarem inovação, controle e clareza estratégica tendem a atrair mais investimentos.
Expectativas mais cautelosas entre investidores brasileiros
P: Qual será, em sua avaliação, a dinâmica do crescimento econômico (PIB) global nos próximos 12 meses?
A expectativa é clara: empresas devem proteger seus resultados enquanto impulsionam crescimento, usando tecnologia (como IA), parcerias e expansão para novos mercados. Isso significa mostrar como os programas de tecnologia se traduzem em produtividade, margens e receita – e apresentar planos concretos para proteger esses ganhos contra inflação, tensões geopolíticas e ameaças cibernéticas.
Desenvolvendo resiliência contra as principais ameaças
P: O quanto as empresas nas quais você investe ou acompanha deveriam aumentar ou reduzir a alocação de capital nas seguintes questões?
Apesar de dúvidas sobre uma possível bolha, a IA é vista como o principal destino de investimentos nos próximos anos. No Brasil, a percepção é ainda mais positiva: quase todos os investidores relatam ganhos de produtividade com IA, além de melhorias em lucratividade e receita. Diante disso, há forte disposição para aumentar investimentos em empresas que adotem IA de forma ampla e estratégica em toda a organização.
Ao buscar crescimento, cerca de três quartos dos investidores (76% no Brasil e 73% no mundo) defendem maior investimento em agilidade nos modelos de negócios. Com a convergência entre setores, competir para além das fronteiras tradicionais se torna essencial.
As fronteiras entre setores estão se tornando menos definidas
Os entrevistados receberam um cenário que comparava um modelo de negócio focado, de um único setor, com profunda especialização e experiência, a uma empresa semelhante que também está se expandindo além das fronteiras tradicionais dos setores (intersetorial).
Em meio ao excesso de informação, os investidores sabem exatamente em que confiar. Demonstrações financeiras e comunicações voltadas ao mercado continuam sendo a base de suas decisões: no Brasil, 80% e 73% dos respondentes, respectivamente, afirmam depender fortemente dessas fontes. No mundo, esses percentuais são 69% e 64%. Eles querem evidências para embasar suas decisões: métricas claras de IA e sustentabilidade, governança robusta e estratégias transparentes de resiliência.
As empresas que conseguem transformar ambição em resultados mensuráveis – e comunicar como a inovação se conecta aos fluxos de caixa, à competitividade e ao risco – conquistam a confiança dos investidores e ficam mais bem posicionadas para crescer em um mundo em transformação.
“Para o investidor, não é possível escolher entre crescer e se proteger. Quando ele observa a alta exposição a riscos cibernéticos, por exemplo, a resiliência se transforma em condição básica, mas precisa vir acompanhada de transformação digital e segurança sustentando produtividade, margens e geração de caixa. O recado evidente é de que a reinvenção com governança e planejamento estratégico se torna essencial para atravessar as tensões geopolíticas, a inflação e as ameaças digitais.”