Ataques cibernéticos promovidos por governos dobraram nos últimos três anos, mostra pesquisa da PwC

SÃO PAULO, 19 de outubro de 2017 – Desde 2014, os incidentes de segurança da informação promovidos por governos de países mais que dobraram, enquanto aqueles cometidos por hackers cresceram 83%, revela o estudo “Bold steps to manage geolopolitcal threats” (Ousadia no gerenciamento das ameaças cibernéticas geopolíticas, em tradução livre), da PwC. Embora menos prevalentes, os ataques cibernéticos planejados por grupos terroristas tiveram um aumento de 24% nos últimos três anos, conforme aponta o levantamento.  A análise da PwC também identifica a origem dos ataques, os setores da economia mais atingidos e como as empresas podem se proteger.

O estudo mostra que as regiões mais afetadas por ataques cometidos por hackers motivados por questões políticas e ideológicas, são a Europa (21% dos incidentes), Ásia e Pacífico (21%); em seguida, aparecem Oriente Médio e África (18%), América do Norte (17%) e América do Sul (17%). No Brasil, a instabilidade política e econômica deu origem a uma onda de incidentes cometidos por hackers. No ano passado, diversos sites do governo ficaram fora do ar durante as Olimpíadas devido a ações do grupo Anonymous.

Em média, 10% das ameaças cibernéticas no mundo são promovidas por governos de países. Os terroristas são responsáveis por 14% dos incidentes no Oriente Médio e África, 11% na América do Sul, 11% na Europa, 10% na Ásia e Pacífico e 8% na América do Norte.
 

Incidentes de Ciber Segurança

Incidentes atribuídos por agentes em cada região

  América do Norte América do Sul Europa Ásia Pacífico Oriente Médio& África
Ativistas/hackers 17% 17% 21% 21% 18%
Governos de países estrangeiros   9%   9% 10% 10%   7%
Terroristas   8% 11% 11% 10% 14%

Fonte: PwC

 

Globalmente, distensões geopolíticas aumentam os riscos potenciais de ataques. As disputas entre a Rússia e a Ucrânia continuam a trazer sérias implicações. Em dezembro de 2015, os hackers invadiram os sistemas de distribuição de energia da Ucrânia, cortando o fornecimento de energia de 230 mil pessoas. Na Ásia, a situação é parecida. No ano passado, a Coréia do Sul acusou a Coréia de Norte de uma série de incidentes cibernéticos que atingiram 160 empresas e órgãos governamentais sul-coreanos. Grupos extremistas também estão utilizando, cada vez mais, ferramentas como canais de comunicação cripotografada e mídias sociais para disseminar ataques.

“As ameaças geopolíticas são extremamente importantes hoje e continuarão a ser significativas nos próximos anos, no mundo todo”, diz Edgar D’Andrea, sócio da PwC e líder de segurança da informação. “As empresas devem estar cientes desses riscos e investir em programas adequados para enfrentá-los”.

O setor mais visado pelos hackers motivados por ideologia é o de Telecomunicações, que concentrou 24% dos ataques cometidos por esse grupo, seguido pela indústria Automotiva (23%) e Financeira (21%). Já os governos de países têm como alvo prioritário industrias do setor de Mídia & Entretenimento (17%). E 15% dos ataques de terroristas se concentraram no setor Aeroespacial & Defesa.

 No caso da indústria de entretenimento e mídia (17% dos ataques globais) e óleo e gás (13%), o principal autor são governos de países.

 

Os setores econômicos mais visados por cada agente

Ativistas/ hackers Telecomunicações - 24% Automotiva - 23% Financeira - 21%
Governos de países estrangeiros  Media & Entretenimento - 17% Óleo & Gas - 13% Eletricidade e água - 13%
Organizações Terroristas Aeroespacial & Defesa - 15%  Eletricidade e água - 14% Tecnologia - 12%

Fonte: PwC.

 

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