Confiança no mercado interno supera expectativa em relação à expansão global, segundo os CEOs de Energia, Serviços de Utilidade Pública e Recursos Naturais (EU&R) no Brasil

  • 61% dos CEOs brasileiros de EU&R estão confiantes quanto ao crescimento da economia do país nos próximos 12 meses
  • 73% confiam no crescimento da geração de receitas das suas empresas para os próximos 12 meses
  • Instabilidade macroeconômica é a principal ameaça aos negócio para 42% CEOs do setor no Brasil 
  • 65% dos CEOs de EU&R têm projetos em andamento ou concluídos para incorporar riscos climáticos ao planejamento financeiro das suas companhias
  • 97% têm esforços em andamento ou já concluídos para melhorar a eficiência energética, e 91% para inovar em produtos e serviços com baixo impacto climático

Os CEOs no setor de  Energia, Serviços de Utilidade Pública e Recursos Naturais (EU&R) no Brasil confiam mais nas perspectivas de crescimento do país do que na expansão da economia global. Para 61% deles, a expectativa é de crescimento da economia interna para os próximos 12 meses. O número faz parte do recorte setorial da 27ª edição da Global CEO Survey, pesquisa anual da PwC, que ouviu mais de 4,7 mil CEOs em mais de 100 países, incluindo o Brasil. O índice de otimismo do setor esteve acima da média registrada pela pesquisa entre os líderes brasileiros, de 55%, que já demonstra perspectivas de crescimento interno acima da média global de 44%. 

O otimismo perde força, porém, quando os CEOs deixam de olhar para o próprio país e avaliam o contexto global. O percentual dos líderes de EU&R no Brasil e da média global que acredita em uma possível desaceleração da economia global nos próximos 12 meses supera a fatia dos que preveem uma aceleração.  Apenas 32% dos líderes de EU&R no Brasil, e 38% no mundo, acreditam em crescimento, enquanto 45% dos líderes de EU&R no Brasil e no mundo preveem uma desaceleração global. . Para os próximos três anos, porém, a confiança em aceleração econômica volta a crescer e aumenta entre os líderes do setor para 61% no Brasil e 44% no mundo. 

A disrupção tecnológica, as mudanças climáticas e outras megatendências globais em aceleração têm sido fonte de ameaça aos negócios tradicionais e pressionam os CEOs a adaptarem suas estratégias de negócios em um ambiente cada vez mais incerto. Isso gera uma inquietação entre os CEOs em relação à sustentabilidade dos seus negócios: 41% dos CEOs brasileiros (45% no mundo) duvidam que, na trajetória atual, suas empresas se mantenham viáveis nos próximos dez anos. Embora os CEOs de EU&R também indiquem uma certa preocupação sobre a viabilidade de seus negócios nos próximos de 10 anos, esse indicador foi de 29%, um percentual menor que a média brasileira.

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Em comparação com os últimos cinco anos, os CEOs de EU&R preveem que alterações associadas à tecnologia, às preferências dos consumidores e ao clima, entre outras, terão impacto muito maior na forma como criam, entregam e capturam valor. Apenas os efeitos da instabilidade da cadeia de suprimentos e da regulação governamental, na opinião dos CEOs do setor, devem diminuir em termos relativos nos próximos três anos. 

“Este é um setor da economia em que a crescente importância dessas tendências é acompanhada por um aumento da percepção dos CEOs sobre a exposição às principais ameaças de curto prazo como por exemplo, a instabilidade macroeconômica, a inflação e as mudanças climáticas. Por outro lado, a indicação de que a instabilidade nas cadeias de suprimentos e regulação governamental devem diminuir nos próximos três anos demonstra  o otimismo dos CEOs quanto ao equacionamento desses temas no curtíssimo prazo, dado a sua urgência para o setor. ”, analisa o sócio da PwC Brasil, Adriano Correia

Principais ameaças

A 27ª Global CEO Survey também revelou que a instabilidade macroeconômica é a principal ameaça para os negócios de 42% dos CEOs de EU&R. Este fator é mais preocupante no setor que para a média dos respondentes do Brasil, de 31%. Já a desigualdade social foi tema menos preocupante, apenas 10% dos líderes do setor consideram uma ameaça para os seus negócios.

As três principais ameaças para o setor EU&R no mundo seguem a ordem: Instabilidade macroeconômica e inflação (42%), mudanças climáticas (39%), riscos cibernéticos e conflitos geopolíticos (29%), riscos sanitários (19%) e desigualdade social (10%)

Compromisso ambiental

As mudanças climáticas, uma das megatendências analisadas pelo estudo, estão entre as principais ameaças para os CEOs de EU&R no mundo. Há progressos no cumprimento de seus objetivos declarados, segundo os líderes do setor: 97% têm esforços em andamento ou já concluídos para melhorar a eficiência energética, e 91% para inovar em produtos e serviços com baixo impacto climático. A maioria dos respondentes da pesquisa relata progressos na descarbonização, mas com planos mais tímidos para outras ações climáticas.

Em relação a inovar em novos produtos, serviços ou tecnologias com baixo impacto climático, 81% do setor já têm planos em andamento para alcançar o objetivo, número que contrasta bastante com os resultados no Brasil, de 57%. Na média no país, essa ação foi indicada como concluída por 9% das pessoas entrevistadas.

O setor está à frente da média brasileira ao incorporar os riscos climáticos ao planejamento financeiro. Enquanto 65% dos CEOs de EU&R têm projetos em andamento ou concluídos neste sentido, a média brasileira é de 43% e outros 36% dos CEOs na média Brasil nem começaram projetos neste sentido ainda. 

IA como aliada

A outra megatendência analisada pela pesquisa é o impacto da disrupção provocada pela inteligência artificial (IA). No Brasil e no mundo, o uso desta tecnologia ainda é uma realidade distante para empresas do setor. Dos CEOs de EU&R no país, apenas 35% disseram que suas empresas mudaram a estratégia de tecnologia por causa da IA generativa nos últimos 12 meses. No Brasil, a média de todas as indústrias foi de 34% e, no mundo, de 31%.

“Estamos em um momento único de transformação no setor, que demandará cada vez mais tecnologia em tudo que as empresas fazem, e os dados da nossa pesquisa indicam isso, ainda que o estágio de implantação da inteligência artificial não seja uma realidade para a maioria dos nossos entrevistados. Percebemos o poder de influência dessa inovação quando observamos que 71% dos líderes do setor declararam que a adoção desta tecnologia vai melhorar a qualidade dos produtos ou serviços das empresas”, completa Adriano Correia.

A adoção dessas novas tecnologias vêm acompanhada de grandes desafios, como demonstrado em outros pontos a respeito da IA identificados na 27ª CEO Survey: nos próximos três anos, para 87% dos executivos de EU&R, a IA generativa vai exigir desenvolvimento de novas habilidades na maior parte da força de trabalho. No mundo, esta média é de 69% e no Brasil, 77%. 

A IA generativa também vai mudar significativamente a maneira como as empresas criam, entregam e capturam valor para 81% dos CEOs do setor, enquanto no Brasil, 72% acreditam nestas mudanças. A média global que acredita nesta mudança de valor a partir da IA generativa cai para 70%. 

Impeditivos à reinvenção

A 27ª Global CEO Survey também procura levantar quais são os principais obstáculos enfrentados para uma mudança corporativa em grande escala. Na indústria de EU&R, os processos burocráticos são apontados como o principal entrave do setor por 81% dos respondentes. Um percentual bem acima da média brasileira de 62% para este tema. Instabilidade da cadeia de abastecimento e prioridades operacionais concorrentes foram outros dois inibidores à reinvenção corporativa citados pelos CEOs do setor com 65% e 61% respectivamente. 

“Processos burocráticos, prioridades operacionais concorrentes, recursos financeiros limitados, competências da força de trabalho e recursos tecnológicos estão sujeitos a alguma intervenção dos CEOs, como também a eficiência, que é uma área de preocupação para muitos líderes”,  completa Adriano Correia.

Crescimento em outros países 

Em relação aos mercados considerados mais relevantes para o crescimento, a indústria de EU&R no Brasil segue a média de todas as indústrias no país: Estados Unidos e China aparecem no topo da lista. A Índia permaneceu na terceira posição, mas agora de forma isolada, com 19% das menções. Em 2023, o percentual era 14% e o país dividia a posição com a Argentina, que caiu para o quarto lugar, e a Alemanha, que sequer aparece entre as cinco primeiras posições.

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