São Paulo, 15 de setembro de 2025 - Nos últimos anos, o setor agropecuário brasileiro tem passado por uma profunda transformação, guiada pela crescente demanda por práticas produtivas mais sustentáveis e responsáveis ambientalmente. Nesse cenário, os bioinsumos emergem como alternativas estratégicas e inovadoras, oferecendo soluções eficazes tanto para a agricultura quanto para a pecuária.
Conforme definido pelo Decreto nº 10.375/2020 (Brasil), bioinsumo é todo produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana destinado à produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agropecuários, aplicável em sistemas de produção terrestres, aquáticos ou de florestas plantadas. Especificamente, os bioinsumos microbianos – que incluem microrganismos vivos, microalgas, fungos e bactérias – atuam como fontes de nutrientes essenciais, metabólitos bioativos e reguladores biológicos, promovendo melhorias significativas na saúde do solo, do animal e na produtividade dos sistemas agrícolas.
“Essa abordagem difere substancialmente do uso tradicional de insumos químicos, que têm sua base na síntese industrial de moléculas artificiais, frequentemente associadas a impactos ambientais, como contaminação de solos e recursos hídricos, além de riscos à saúde humana, apesar de toda a segurança e aprovação pelos órgãos reguladores. Os bioinsumos, por sua vez, integram-se aos processos naturais, favorecendo o equilíbrio ecológico, a circularidade dos nutrientes e a sustentabilidade a longo prazo”, afirma Mayra Theis, sócia e líder de Agronegócios na PwC Brasil.
O mercado brasileiro de bioinsumos vem crescendo rapidamente. De acordo com a Embrapa, esse avanço é uma tendência consolidada, impulsionada tanto pela pressão por práticas sustentáveis quanto pela urgente necessidade de reduzir a dependência de insumos químicos importados — atualmente, mais de 70% dos fertilizantes utilizados no país são provenientes do exterior.
Segundo dados da CropLife, na safra 2023/2024 o segmento movimentou cerca de R$ 5 bilhões, apresentando crescimento de 15% em relação ao período anterior. Tal evolução supera em quatro vezes a taxa média global, destacando o protagonismo brasileiro no cenário mundial de bioinsumos. As culturas que lideram o uso desses produtos são soja (62%), milho (23%) e cana-de-açúcar (10%), seguidas por algodão, café e citros.
Embora a maior parte das atenções esteja voltada para a agricultura, os bioinsumos têm avançado rapidamente na pecuária, especialmente na alimentação de ruminantes. Microrganismos como leveduras, fungos filamentosos, bactérias e microalgas demonstram elevado potencial como fontes alternativas de proteína, vitaminas, minerais e compostos bioativos. Esses organismos podem ser utilizados como aditivos, suplementos nutricionais ou incorporados diretamente à dieta animal, contribuindo para a melhoria da eficiência produtiva e da saúde dos rebanhos.
Essa aplicação está diretamente alinhada aos princípios da economia circular, uma vez que os substratos utilizados na produção microbiana podem ser derivados de resíduos e efluentes agroindustriais, transformando passivos ambientais em insumos valiosos. Desse modo, os bioinsumos promovem a redução do desperdício, o reaproveitamento eficiente dos nutrientes e a sustentabilidade dos sistemas agropecuários como um todo.
Diversos estudos evidenciam os benefícios das leveduras na modulação da microbiota ruminal, com impactos positivos na digestibilidade dos alimentos, prevenção de distúrbios metabólicos como a acidose ruminal, e aumento da produção de leite e carne. Essa sinergia entre bioinsumos e pecuária reforça metas ambientais relevantes, como a mitigação das emissões de gases de efeito estufa e o uso racional dos recursos naturais.
Segundo projeções da consultoria Mordor Intelligence, o mercado global de bioinsumos poderá alcançar US$ 18,5 bilhões até 2026. No Brasil, a área cultivada com bioinsumos deve crescer a uma taxa média anual de 21% nos próximos anos, conforme estimativas da CropLife.
“Assim, os bioinsumos devem ser compreendidos como complementares aos insumos agroquímicos convencionais, exercendo papel fundamental na construção de um novo modelo agropecuário fundamentado em circularidade, eficiência produtiva e responsabilidade ambiental. O fortalecimento desse setor representa além de ganhos econômicos expressivos, avanços sociais e ambientais, posicionando o Brasil como referência global em agricultura e pecuária sustentáveis no século XXI”, completa Mayra Theiys.
Sobre a PwC
Na PwC, ajudamos nossos clientes a construir confiança e a se reinventarem para que possam transformar a complexidade em vantagem competitiva. Somos um network de firmas voltadas para tecnologia e impulsionadas por pessoas atuando no Brasil há mais de 110 anos, com mais de 364 mil profissionais em 136 países. Atuamos nas áreas de auditoria e asseguração, consultoria tributária e societária, consultoria de negócios e assessoria em transações, ajudando os clientes a construir, acelerar e sustentar o impulso para avançar. Saiba mais em www.pwc.com.br.