São Paulo, 15 de agosto de 2025 - A cadeia de valor do agronegócio insere-se em um contexto global, envolvendo produção e consumo em distintas regiões do mundo, abrangendo insumos, maquinários e equipamentos de alta tecnologia aplicados ao campo. Tal cadeia é fortemente impactada pelo cenário geopolítico vigente, caracterizado pela complexidade e dinamicidade, notadamente em situações de conflitos e transações comerciais marcadas pela ausência de regras uniformes e pela imposição arbitrária de tarifas por determinados países.
Esse panorama se apresenta em um momento crucial para o agronegócio, setor fundamental para a segurança alimentar e energética mundial, no qual a inovação tecnológica se consolida como diferencial competitivo imprescindível. Para além dos desafios inerentes ao risco climático na produção agropecuária e à estrutura logística de distribuição, o setor enfrenta, ainda, as particularidades das relações internacionais, em que políticas tarifárias e disputas — sejam bélicas ou comerciais — podem constituir obstáculos significativos ao progresso e ao desenvolvimento dos países.
A tecnologia assume, nesse cenário, papel fundamental para mitigar os impactos decorrentes da ausência de regulação padronizada, agregando valor por meio da oferta de dados analíticos robustos que subsidiam negociações internacionais. Plataformas de análise de dados possibilitam aos produtores e negociadores uma compreensão aprofundada dos padrões de demanda e oferta no mercado global, proporcionando subsídios críticos para decisões estratégicas. O emprego de inteligência artificial e big data confere uma capacidade inédita de previsão de tendências do mercado e de adequação das operações agrícolas, visando à maximização de eficiência e rentabilidade. Esses instrumentos tecnológicos avançados contribuem para a elaboração de modelos preditivos capazes de fornecer estimativas precisas e em tempo real da produção agrícola, facilitando tomadas de decisão em contextos marcados pela instabilidade regulatória. Ressalta-se, contudo, que a tecnologia demanda interação humana, negociação e, frequentemente, diplomacia, a fim de transpor as complexidades inerentes às relações comerciais internacionais.
No contexto em que tarifas comerciais são utilizadas como instrumentos de pressão geopolítica, observa-se que as nações buscam resguardar seus próprios interesses, o que pode acirrar tensões já existentes e instaurar novas fissuras na cooperação internacional. “Tal conjuntura reforça a necessidade de colaboração multiculturais e multilaterais, destacando o papel insubstituível das relações humanas na construção de pontes entre mercados. Nessa perspectiva, a tecnologia apresenta-se como aliada, promovendo a comunicação eficiente baseada em dados e assegurando maior transparência — fatores essenciais para negociações exitosas”, afirma Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócio da PwC Brasil.
Adicionalmente, a tecnologia fomenta a transparência e a eficiência nas transações, elementos críticos para a consolidação da confiança em um ambiente permeado por constantes tensões. A transformação digital configura-se como vetor de rastreabilidade e conformidade, contribuindo para a mitigação de fraudes e fortalecendo relações comerciais sustentadas por dados objetivos e verificáveis. Ademais, as inovações em blockchain e demais tecnologias distribuídas garantem transações seguras e transparentes, diminuindo a dependência de intervenções governamentais.
Nesse contexto geopolítico global, carente de consenso regulatório e marcado pela imposição de tarifas, o equilíbrio na interdependência tecnológica mostra-se essencial. O agronegócio deve não apenas adaptar suas estratégias para superar barreiras externas, mas também integrar plenamente os recursos tecnológicos aos seus processos decisórios, assegurando, assim, crescimento sustentável e resiliência.
“Embora a tecnologia ofereça ferramentas poderosas para a compreensão e navegação da complexidade das transações comerciais no agronegócio, a geopolítica permanece como um campo definido por interações humanas e decisões políticas. A manutenção do equilíbrio entre tecnologia e relações humanas será crucial para enfrentar os desafios advindos da ausência de regras globais claras e da imposição de tarifas por parte de diversos países. O futuro do agronegócio dependerá, portanto, de uma articulação eficaz entre esses dois elementos, em que cada um potencializará o outro para a construção de uma cadeia de valor verdadeiramente global e sustentável”, conclui a sócia da PwC.
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