O potencial dos dados no agronegócio

São Paulo, 15 de outubro de 2025 - O agronegócio brasileiro está passando por uma transformação profunda, impulsionada pela digitalização e pela inteligência de dados. Em um cenário marcado por mudanças climáticas, aumento da demanda por alimentos, fibras, energia e exigência de práticas sustentáveis, o uso estratégico dos dados tornou-se essencial para garantir eficiência, produtividade e competitividade no campo.

A coleta e análise de dados agrícolas permitem decisões mais precisas em todas as etapas da produção, desde a escolha de sementes até o planejamento do plantio e o monitoramento climático. Esses dados oferecem aos produtores uma visão integrada e em tempo real de suas operações, permitindo ajustes rápidos e assertivos. A gestão de dados, por exemplo, pode auxiliar na seleção de sementes de alta qualidade com base em safras anteriores e nas condições climáticas atuais, além de otimizar o momento e o local do plantio.

Esse avanço tecnológico também tem impacto direto na pecuária. O uso de sensores, coleiras inteligentes e sistemas de monitoramento animal permite acompanhar em tempo real o comportamento, a saúde e o desempenho dos rebanhos. “A chamada pecuária de precisão, baseada em dados, possibilita intervenções mais rápidas, reduz perdas, melhora o bem-estar animal e aumenta a rentabilidade das propriedades. A integração de dados zootécnicos com informações ambientais e nutricionais permite uma gestão mais eficiente dos recursos e maior previsibilidade nos resultados financeiros”, destaca Mayra Theis, sócia e líder do setor de agronegócios da PwC Brasil. 

No entanto, para que todas essas tecnologias funcionem de forma eficiente, a sócia alerta que a conectividade no campo é essencial. Sem acesso à internet, muitos sistemas de coleta e análise de dados não conseguem operar em tempo real, o que limita o uso de ferramentas como inteligência artificial, monitoramento remoto e automação. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, apenas 23% do espaço agrícola brasileiro possuía algum nível de cobertura de internet em 2021. Em 2025, esse número subiu para 33,9%, graças a iniciativas como a ConectarAGRO e investimentos em redes móveis 4G e 5G. 

Estudos da ESALQ/USP mostram que, com a expansão da conectividade rural, o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária pode crescer em até R$ 100 bilhões. A instalação de novas torres de telecomunicação e o uso de tecnologias como satélites e fibra óptica são estratégias que podem elevar a cobertura para até 90% das áreas rurais, criando novos paradigmas para o setor. 

“A eficácia da inteligência artificial no agronegócio depende diretamente da qualidade dos dados que a alimentam. Dados incompletos, duplicados ou mal estruturados podem comprometer recomendações e gerar desperdícios. O saneamento de dados, que inclui a remoção de duplicidades, correção de erros e preenchimento de lacunas, é essencial para garantir que a IA gere valor real ao produtor”, complementa Mayra Theis. Além disso, a agricultura e a pecuária modernas utilizam uma variedade de tecnologias para coletar dados: sensores de IoT, drones, satélites, telemetria de máquinas agrícolas e até registros manuais digitalizados. A integração dessas fontes em plataformas analíticas permite identificar padrões, prever tendências e tomar decisões estratégicas com maior segurança.

O avanço da ciência de dados, big data e inteligência artificial está revolucionando o setor agroalimentar. Ferramentas como machine learning, analytics e modelos preditivos estão sendo aplicadas para transformar dados brutos em insights acionáveis, desde o campo até o consumidor final. Essa revolução exige profissionais capacitados em alfabetização de dados e habilidades digitais para interpretar e aplicar essas informações de forma eficaz. Além de aumentar a produtividade, a inteligência de dados fortalece a resiliência da agricultura e da pecuária frente aos desafios climáticos. Tecnologias digitais ajudam a minimizar impactos ambientais, reduzir desperdícios e promover práticas sustentáveis. A inteligência de dados é a chave para uma produção rural mais eficiente e alinhada com os princípios da sustentabilidade.

Por fim, a sócia destaca que a utilização dos dados no agronegócio não é apenas uma tendência, mas uma necessidade estratégica. “A integração de tecnologias digitais, saneamento de informações, conectividade rural e aplicação de inteligência artificial está moldando uma nova era no campo, mais produtiva, sustentável e inteligente. O investimento em dados e conectividade hoje será base para o futuro da agropecuária brasileira”, afirma.

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