São Paulo, 10 de novembro de 2025 – Impulsionados por investimentos regionais e subsídios governamentais, o investimento global em fábricas de semicondutores até 2030 deve ultrapassar US$1,5 trilhão — valor é equivalente ao total investido nos últimos 20 anos, indica o relatório Semiconductor & Beyond 2026, da PwC.
O estudo traz uma análise quantitativa da cadeia global de valor dos semicondutores, com destaque para uma fase de transformação acelerada no setor. O crescimento robusto na construção de novas fábricas reflete esforços estratégicos para fortalecer cadeias de suprimentos e atender à demanda crescente por tecnologias como inteligência artificial (IA) e veículos autônomos.
“A expectativa é que o mercado global de semicondutores ultrapasse US$ 1 trilhão até 2030, com destaque para o segmento de servidores e redes, que deve superar US$ 300 bilhões. A alta demanda por aceleradores de IA e memórias de alta largura de banda (HBM) em data centers imusiona ainda mais esse crescimento”, afirma Daniel Martins, sócio e líder do setor de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil.
O sócio explica que embora o Brasil ainda enfrente desafios estruturais, como infraestrutura por exemplo, há oportunidades reais para o país se posicionar estrategicamente neste novo mercado — seja como polo de inovação em nichos específicos, como semicondutores para mobilidade elétrica, ou como parte de cadeias globais de valor. “A crescente demanda por chips em setores como veículos conectados e automação industrial abre espaço para parcerias, investimentos e políticas públicas que estimulem o desenvolvimento e alianças”, completa.
O estudo da PwC também aponta que o segmento automotivo será o segundo que mais crescerá, com taxa anual de 10,7%, impulsionado pelos veículos elétricos e tecnologias de direção autônoma. Até 2030, espera-se que híbridos e elétricos representem cerca de 50% das vendas de veículos, e semicondutores de potência respondam por mais da metade do custo total de semicondores nesses veículos.
Isso deve acelerar a adoção de semicondutores de banda larga como carbeto de silício (SiC) e nitreto de gálio (GaN), substituindo o silício tradicional e aumentando a eficiência, densidade de potência e velocidade de recarga. Daniel Martins explica que o Brasil tem uma das maiores reservas de bauxita do mundo, concentradas no Pará (região de Trombetas, Juruti e Paragominas). Mas, como hoje, a prioridade do país é o alumínio, no processo de refino da bauxita, o gálio aparece em baixíssima concentração (algumas dezenas de ppm na solução cáustica). Por isso, a maioria das refinarias brasileiras não recupera o gálio, deixando-o no resíduo (lama vermelha).
“O Brasil poderia se tornar relevante na extração de gálio, se investisse em tecnologia para capturá-lo no processo de refino. Já transformar gálio em nitreto de gálio semicondutor exige uma cadeia tecnológica avançada (purificação, epitaxia, “wafer fabs”), que o Brasil ainda não domina. Uma estratégia industrial e tecnológica robusta, integrando mineração, química avançada e indústria de chips poderia incluir o país no mapa da demanda potencial global”, conclui o sócio.
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