Junho 30, 2026
Por Fernanda Cavalcante, Analista Sênior de Mercado e Marca do PwC Agtech Innoation
“Não se gerencia o que não se mede.” A frase atribuída ao estatístico americano William Deming continua atual diante de um dos desafios mais recorrentes das organizações: transformar inovação em resultados concretos e acompanháveis ao longo do tempo.
O desafio, porém, não está só em reconhecer sua importância, mas em definir como acompanhá-la de forma consistente ao longo do tempo. Dados da 29ª CEO Survey, pesquisa global da PwC, mostram que, embora a inovação já seja tratada como prioridade por grande parte das empresas, poucas conseguem sustentá-la de forma conectada ao negócio.
No agronegócio, essa necessidade é ainda mais evidente. O setor convive com demandas simultâneas de produtividade, sustentabilidade, rastreabilidade e adaptação climática, ao mesmo tempo em que amplia o uso de tecnologias como agricultura digital, inteligência artificial e análise de dados. Com tantas frentes em movimento, acompanhar o avanço de cada uma delas deixa de ser um exercício complementar e passa a ser parte central da gestão. É nesse ponto que entram as métricas de inovação.
Métricas de inovação são indicadores usados para acompanhar o desempenho de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de novos produtos, serviços, processos, modelos de negócio ou parcerias estratégicas. Mais do que medir resultado econômico, esses indicadores ajudam a enxergar toda a jornada, desde a geração de ideias e as conexões com o ecossistema até os impactos percebidos por clientes, operações e mercado.
De forma geral, elas se dividem em duas categorias complementares. As métricas de entrada (input) refletem os esforços e investimentos realizados. As métricas de saída (output) capturam os resultados gerados por esses esforços.
São os indicadores mais comuns entre empresas que estão iniciando a jornada de inovação aberta, ou seja, uma inovação construída de forma colaborativa com outros agentes do ecossistema, como startups, academia, produtores rurais, investidores e instituições de pesquisa. Essas métricas acompanham o topo do funil, observando o volume de conexões, testes e investimentos que ajudam a movimentar a esteira de desenvolvimento.
As métricas de entrada ajudam a medir o nível de interação com o ecossistema de inovação, acompanhando a quantidade de iniciativas, parcerias e experimentações em andamento. Entre os indicadores que podem ser utilizados, estão:
Métricas de entrada
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O que avaliam
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Número de ideias geradas
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Capacidade de identificar oportunidades
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Investimento destinado à inovação
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Comprometimento financeiro com o tema
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Projetos-piloto em andamento
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Nível de experimentação ativa
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Parcerias com startups, universidades e centros de pesquisa
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Conexão com o ecossistema
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Programas de capacitação
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Desenvolvimento de competências internas
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Desafios e chamadas abertas
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Geração de oportunidades e novas conexões
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Processos de scouting tecnológico
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Mapeamento de soluções disponíveis no mercado
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As métricas de saída medem os resultados efetivamente gerados pelas iniciativas de inovação. São elas que demonstram o impacto sobre o negócio.
Esse pilar costuma ser associado a empresas mais avançadas na jornada de inovação aberta, e isso tem uma razão prática. São organizações que já investiram no topo do funil, construíram conexões com o ecossistema, passaram pela fase de experimentação e conseguiram avançar no desenvolvimento de novos produtos, serviços ou processos. Com essa esteira mais madura, passam a olhar para o que a inovação entregou de fato ao negócio.
No agro, um exemplo concreto é o de empresas que, após ciclos de experimentação com startups, conseguem mensurar ganhos de produtividade em campo, redução no custo de insumos ou lançamento de novas linhas de produto a partir de parcerias tecnológicas.
Algumas métricas que podem ser utilizadas incluem:
Métricas de saída
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O que avaliam
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Produtos ou serviços lançados
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Geração de novas ofertas
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Retorno sobre investimento (ROI)
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Resultado financeiro
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Ganhos de produtividade
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Eficiência operacional
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Redução de custos
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Otimização de recursos
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Crescimento de participação de mercado
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Competitividade
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Patentes registradas
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Geração de propriedade intelectual
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Satisfação dos clientes
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Percepção de valor do mercado
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Ainda que as métricas estejam divididas em dois grupos, o resultado no fundo do funil depende diretamente dos processos e investimentos feitos no topo. Uma empresa que quer ampliar o número de patentes ou elevar o retorno sobre investimento em inovação precisa, antes, continuar alimentando seu pipeline com novas conexões, desafios e parcerias.
Entrada e saída não são etapas isoladas. São partes de um mesmo ciclo. Quando esse ciclo se mantém ativo, a inovação deixa de ser pontual e passa a ser parte da cultura do negócio. Empresas que tratam métricas de entrada como um estágio a ser superado, em vez de um processo contínuo, tendem a ver sua esteira de inovação perder fôlego com o tempo.
Voltando à frase de Deming, "não se define o que não se entende", o primeiro passo para estruturar métricas de inovação é a empresa ter clareza sobre o que espera alcançar com a inovação aberta. Essa definição precede qualquer indicador e orienta tanto a escolha das métricas quanto a alocação de recursos.
Os objetivos variam conforme o momento e a maturidade de cada organização. Algumas empresas buscam vantagem competitiva ou acesso a novos mercados. Outras priorizam eficiência operacional, desenvolvimento de novos produtos ou adequação a exigências regulatórias. Há ainda quem enxergue a inovação aberta como caminho para fortalecer a marca, fomentar uma cultura inovadora que atraia talentos, ou se posicionar como parceiro de escolha dentro do ecossistema.
Não existe um conjunto único de métricas que funcione para todas as empresas. O que existe é um processo: entender o objetivo, desenhar a estratégia para alcançá-lo e, a partir disso, definir quais indicadores vão acompanhar o caminho. O PwC Agtech Innovation conta com serviços voltados a apoiar empresas nesse processo, que atua justamente na estruturação da estratégia de inovação e na definição das métricas mais adequadas a cada contexto.
Quando os indicadores estão conectados a objetivos claros, eles deixam de ser números soltos em um relatório e passam a orientar decisões. A empresa consegue identificar o que está funcionando, corrigir o que não avança e garantir que a inovação esteja de fato alinhada à estratégia do negócio, e não correndo em paralelo a ela.