Os profissionais estão se manifestando sobre o impacto da inteligência artificial (IA) na produtividade, no crescimento e no mercado de trabalho. A Pesquisa Global Hopes and Fears 2025 da PwC mostra que a influência da IA vem aumentando e que o otimismo em relação ao seu potencial supera, de longe, a preocupação com seus riscos.
Mesmo assim, o estudo – um dos maiores do mundo, com quase 50 mil participantes de 28 setores em 48 grandes economias – revela que o uso diário da tecnologia ainda é limitado e que os líderes têm uma grande oportunidade de estimular a motivação das equipes e impulsionar a inovação e o crescimento também por meio da tecnologia.
Mais de 70%
Quase 30%
Entre todos os participantes da pesquisa – que vão desde a alta gestão até a linha de frente – 71% dos colaboradores no Brasil afirmam ter usado IA em suas funções no último ano (no mundo, são 54%). A maioria já percebe benefícios: 83% dos brasileiros enxergam melhorias na qualidade do trabalho e 79% na produtividade (no mundo, são 75% e 74%, respectivamente).
Aqueles que utilizam IA generativa diariamente são os mais entusiasmados: nove em cada dez no mundo afirmam não apenas ter observado esses avanços, mas também esperam ainda mais vantagens no futuro. No geral, os profissionais estão duas vezes mais propensos a encarar o impacto da IA com curiosidade ou empolgação do que com preocupação ou incerteza.
P: nos últimos 12 meses ou nos próximos três anos, em que medida a IA influenciou ou influenciará, de forma positiva ou negativa, os seguintes aspectos do seu trabalho?
(Mostrando o total das respostas sobre influência positiva “ligeira”, “moderada” e “significativa”)
Últimos 12 meses
Últimos 3 anos
Últimos 12 meses
Últimos 3 anos
Nota: usuários pouco frequentes de IA generativa são aqueles que relataram usar a tecnologia uma vez, algumas vezes ou cerca de uma vez por mês.
Apesar do crescente reconhecimento do potencial da IA, apenas 26% dos colaboradores brasileiros afirmam usar IA generativa todos os dias (14% no mundo).
A adoção varia segundo o perfil de atividade: globalmente, 19% dos profissionais que atuam em funções administrativas ou de escritório relatam uso diário da IA generativa, em comparação com apenas 5% entre os que exercem funções manuais. A média representa um pequeno aumento em relação aos 12% registrados em 2024 – e está bem abaixo das estimativas que ouvimos com frequência de executivos ao redor do mundo.
Um grupo ainda menor – apenas 10% no Brasil (6% no mundo) – afirma usar diariamente agentes de IA, a próxima fase da IA generativa, com sistemas inteligentes executando tarefas de forma autônoma e tomando decisões.
No conjunto da força de trabalho, 61% esperam que as mudanças tecnológicas afetem significativamente seus empregos nos próximos três anos (45% no mundo), com impacto mais forte do que as mudanças nas preferências dos consumidores ou nas regulamentações governamentais. Em contraste, 73% dos usuários diários da IA generativa (70% no mundo) esperam que a tecnologia traga grandes transformações em suas funções.
P: nos últimos 12 meses, com que frequência você usou, se é que usou, as seguintes tecnologias no trabalho?
Para os empregadores, esses resultados são um lembrete claro de que existe espaço potencial para ajudar os colaboradores a compreender, adotar e aproveitar o poder transformador da IA. As empresas talvez precisem dedicar uma atenção especial aos profissionais em início de carreira.
No Brasil, 37% desses profissionais dizem estar bastante ou muito preocupados com o impacto da IA em seu futuro – em comparação com 29% no mundo. Já 58% demonstram curiosidade e 49% mantêm uma visão otimista sobre os efeitos de longo prazo da tecnologia na sociedade, enquanto, globalmente, 47% se mostram curiosos e 38% otimistas.
A incerteza sobre os efeitos da IA se soma a uma realidade preocupante: muitos colaboradores estão se sentindo sobrecarregados. Embora 76% dos participantes da pesquisa no Brasil (70% no mundo) relatem se sentir satisfeitos com o trabalho ao menos uma vez por semana (incluindo 9% que se dizem satisfeitos diariamente, em comparação com a média global de 22%), há também sinais claros de estresse, pois mais da metade no Brasil e no mundo enfrenta dificuldades financeiras.
Quase a mesma proporção relata fadiga. Isso reforça a necessidade de as empresas promoverem um ambiente de confiança, alinhamento e um sentimento de segurança psicológica entre suas equipes. Já dissemos isso antes, e a pesquisa deste ano apenas confirma a mensagem: essas não são preocupações passageiras, mas prioridades contínuas que os empregadores não podem ignorar e ao passar dos anos elas são acumulativas.
Uma novidade da pesquisa deste ano é o uso de métodos estatísticos avançados para investigar a motivação – o combustível da inovação, da reinvenção e do crescimento. Descobrimos que há grandes ganhos em motivação quando o ambiente de trabalho estimula a confiança, o desenvolvimento de competências e a oferta de um trabalho com propósito, alinhamento estratégico e segurança psicológica.
Em conjunto, esses resultados sugerem que os líderes devem criar o futuro em conjunto com suas equipes. Eles também destacam seis ações essenciais que podem ajudar os líderes a dar os primeiros passos e que detalhamos no estudo abaixo.
“O futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia, mas pela confiança e pelo propósito que os líderes constroem junto com os seus times. Quando há clareza sobre as transformações provocadas pela IA e apoio cultural para evoluirmos, a inovação deixa de ser um desafio e se torna uma oportunidade para crescimento coletivo."