Tendências, riscos e oportunidades em um mercado em consolidação

Pesquisa sobre Criptoeconomia no Brasil em 2025

Pesquisa sobre Criptoeconomia no Brasil em 2025
  • Novembro 26, 2025

Fruto de uma iniciativa conjunta da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Criptoeconomia, esta pesquisa busca oferecer uma visão abrangente dos rumos da criptoeconomia no país. A análise reúne as percepções de empresas sobre oportunidades, riscos, inovações e exigências regulatórias que devem moldar o desenvolvimento do setor nos próximos anos.

53%

das empresas participantes estão em fase de consolidação

27%

têm mais de 500 empregados

80%

consideram as criptomoedas como a tecnologia de maior impacto para os negócios

70%

afirmam que blockchain, cripto e tokenização são suas principais fontes de receita

1. Retrato atual

A criptoeconomia no Brasil permanece fortemente ancorada no setor financeiro, com 53% dos respondentes atuando como fornecedores ou empresas ligadas a serviços financeiros. Mesmo fora do universo bancário tradicional, muitos players operam em áreas estreitamente vinculadas ao sistema financeiro, o que revela a predominância de modelos de negócio dependentes dessa infraestrutura.


Setor em que atua


Serviços financeiros
%
Tecnologia
%
Serviços profissionais
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Automotivo
%
Outro
%

Essa concentração também se reflete no fato de que 63% das empresas não possuem qualquer licença bancária, um indicador de que a estrutura regulatória atual ainda não contempla plenamente as necessidades do setor e abre espaço para novas definições e ajustes regulatórios. Grande parte desses atores é composta por novos entrantes, agora diante de exigências crescentes de compliance, autorizações formais e possíveis registros como Virtual Asset Service Providers (VASPs).

O ecossistema mostra traços claros de maturação: 53% das empresas estão em fase de consolidação, enquanto 20% permanecem em expansão e outros 20% ainda operam em fases iniciais. O número de funcionários acompanha essa diversidade, com predominância de organizações de pequeno porte (37%) e presença expressiva de grandes empresas com mais de 500 colaboradores (27%).


Estágio de maturidade


Minimum Viable Product (MVP)
%
Início da operação
%
Expansão
%
Consolidação
%

No aspecto financeiro, o faturamento é distribuído de forma ampla: 30% movimentam entre R$ 0,5 e R$ 5 milhões, enquanto 27% ultrapassam R$ 200 milhões, revelando a convivência entre startups emergentes e players já estabelecidos.

As expectativas de crescimento são igualmente variadas – 57% projetam avanços entre 1% e 50%, 23% estimam crescimento de até 100% e 17% esperam resultados ainda maiores. O perfil de clientes reforça essa diversidade: metade das empresas atende o público corporativo, 7% focam em pessoas físicas e 43% atuam com ambos, o que sinaliza a multiplicidade de modelos e frentes em expansão na criptoeconomia nacional.

“A criptoeconomia é muito mais do que criptomoedas ou blockchain. É um novo olhar para os negócios, sob uma perspectiva descentralizada, inclusiva e democrática. O otimismo depositado no ecossistema é real, mas carrega a consciência de que ainda há muito a ser feito em relação à segurança, capacitação profissional e educação do consumidor. Se os desafios forem superados com responsabilidade, a criptoeconomia tem potencial para transformar o mercado financeiro e a forma como investimos.”

Fábio Cassio Costa Moraes,diretor de Educação e Pesquisa da ABcripto

2. Soluções, produtos e prioridades tecnológicas

As criptomoedas sendo apontadas como a tecnologia de maior impacto para os negócios, figurando claramente em primeiro lugar entre as empresas da amostra (80%). Isso confirma seu papel como porta de entrada natural da criptoeconomia, já que as moedas digitais são a aplicação mais difundida, seja em operações de investimento, seja na intermediação de transações.

Os tokens são a segunda tecnologia de mais impacto, mencionados por 70% dos respondentes. Esse resultado indica uma diversificação do setor, que começa a explorar novos modelos de negócios baseados na tokenização.


Qual destas tecnologias é a principal prioridade considerando o impacto para o seu negócio?


Criptomoedas
%
Tokens
%
Infaestrutura blockchain
%
DeFi
%

3. O papel estrutural do blockchain

O blockchain já deixou de ser uma promessa e passou a ocupar um espaço estratégico nas empresas. Há clareza sobre as oportunidades e a capacidade técnica necessária para explorá-las, mas o avanço efetivo depende da superação de desafios regulatórios e da formação de mão de obra qualificada.

O horizonte de consolidação é de médio prazo, com expectativa de que a tecnologia atinja escala significativa nos próximos cinco anos, alinhando inovação, segurança e sustentabilidade regulatória.

As empresas da amostra demonstram um nível de maturidade relevante no uso de blockchain e soluções DLT (tecnologias de registro distribuído). A maioria (83%) já apresenta alto ou profundo domínio técnico, com soluções implementadas ou em desenvolvimento, enquanto apenas uma pequena parcela (3%) não tem conhecimento sobre o tema.


Domínio técnico das equipes sobre blockchain e soluções DLT


Profundo
%
Alto
%
Razoável
%
Baixo
%
Nenhum
%

“A tecnologia é uma ferramenta que agrega valor ao trabalho realizado em diversos aspectos do mercado de criptoeconomia, tanto na gestão de riscos quanto na geração de maior eficiência e aumento da capacidade operacional. Por isso, o tema da cibersegurança não pode mais sair da pauta. Ele acompanha o avanço do setor, assim como as práticas de prevenção à fraude. A regulamentação ajudará a organizar o mercado, definindo quem deve operar e como se deve operar, mas, sozinha, não elimina todos os riscos de segurança.”

Ana Gonçalves,sócia de Digital Assurance & Transparency – Riscos e Controles da PwC Brasil

4. Expectativas para o desenho do mercado

O setor enxerga a regulação como um divisor de águas. A definição de regras claras é, ao mesmo tempo, o maior risco e a maior oportunidade. A ausência de diretrizes definitivas gera insegurança. Um marco regulatório sólido trará ganhos em segurança, solidez e competitividade internacional, mas isso exigirá investimentos consistentes em compliance, tributação, governança e tecnologia.

As empresas acompanham de perto as discussões regulatórias, conscientes de seu impacto direto nos negócios. As consultas públicas mais recentes – em especial a 110/2024, sobre a regulamentação dos serviços de ativos virtuais – concentram a atenção por serem consideradas as de maior relevância para a configuração do ambiente regulatório futuro.

5. O futuro dos pagamentos digitais

Em 4 de novembro de 2025, o Banco Central do Brasil (BC) anunciou a interrupção da plataforma Drex, o projeto do real digital baseado em blockchain, após quatro anos de testes. A decisão confirmou as avaliações divergentes e a postura neutra de parte do mercado, que, desde a primeira fase do piloto, já apostava nos riscos da iniciativa.

O resultado da nossa pesquisa reafirma as principais barreiras já observadas no projeto, como: a complexidade da solução e dos requisitos técnicos, e a pouca clareza dos benefícios de cada caso de uso – o que limitava a percepção de valor imediato.


Principal barreira observada na primeira fase do Drex


Complexidade da solução e dos requisitos
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Barreiras técnicas com a solução core
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Pouca clareza dos benefícios de cada caso de uso
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Barreiras técnicas na integração com as entidades
%
Reduzido conhecimento técnico e ausência de profissionais qualificados
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A criptoeconomia no Brasil vive um momento de transição: entre a promessa e a consolidação, entre a inovação e a regulação, entre os riscos e as oportunidades. Mais do que uma agenda de inovação, trata-se de uma agenda de institucionalização, em que a confiança, a segurança e a capacidade de gerar valor prático se tornam indispensáveis para a expansão sustentável da criptoeconomia no Brasil.

Pesquisa sobre Criptoeconomia 2025

Baixe o relatório completo

(PDF of 8.95MB)

Contatos

Lindomar Schmoller

Lindomar Schmoller

Sócio e líder de Serviços Financeiros, PwC Brasil

Ana Gonçalves

Ana Gonçalves

Sócia de Digital Assurance & Transparency – Riscos e Controles, PwC Brasil

Willer Marcondes

Willer Marcondes

Sócio para Serviços Financeiros na Strategy&, PwC Brasil

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