Janeiro 27, 2026
Por Barbara Lemes
Mais do que dominar técnicas de gestão ou acompanhar os avanços tecnológicos, liderar se tornou sinônimo de compreender as pessoas, criar ambientes de confiança e alinhar inovação, propósito e aprendizados contínuos à estratégia. No agronegócio, esse movimento ganha mais peso. Acompanhar as necessidades de profissionais de toda a cadeia, que vai do campo à mesa do consumidor, exige atenção aos detalhes e às particularidades de cada contexto.
As reflexões sobre o papel atual dos novos líderes e sobre como as pessoas movimentam o setor, foram extraídas do episódio “Pessoas como força motriz da inovação”, da série Jornada de Inovação, e “Liderança no Agro: o capital humano que é diferencial de negócio”, da série Na Mesa com os Stakeholders, produzidos pelo PwC Agtech Innovation.
Essas conversas reuniram especialistas e líderes do agronegócio para discutir como a gestão estratégica, o desenvolvimento profissional e a inovação dependem, essencialmente, de um ponto comum: as pessoas.
Ambientes seguros, que inspiram a troca de aprendizados, são fundamentais para inovação acontecer. E, nesse sentido, um dos papéis da liderança, dentro das empresas, é criar “zonas seguras”, com limites claros e rituais que favoreçam a exploração de novas ideias.
Juliana Okuda, gerente de inovação aberta da Ajinomoto Brasil, chama atenção para um comportamento comum nas corporações: a tendência dos líderes de evitar explorar problemas e buscarem direto uma solução. Essa urgência, relacionada à natureza humana, pode aumentar falhas em processos, gerar mais retrabalho e produzir erros em escala.
A pressa por mostrar resultados, associada à ilusão de que a inovação é sempre sobre “criar algo novo”, levam empresas a lançar protótipos antes de entenderem a fundo qual problema estão resolvendo. “Quando as organizações se apaixonam pelo problema, tornam a inovação relevante para o cliente, pois resolvem dores reais, não projeções”, reforça Juliana.
Ter pessoas preparadas para pensar além do core business, assumir riscos calculados e aprender com os próprios erros só é viável, no entanto, em ambientes em que existe segurança psicológica.
Outro ensinamento relevante é que a inovação não deve ficar restrita a departamentos específicos. Ela precisa ser encarada como uma disciplina que permeia a organização.
Incentivar o protagonismo de pessoas de diferentes áreas, integrar gerações e valorizar múltiplas perspectivas em projetos de inovação amplia o repertório das empresas e acelera a transformação cultural.
Se, por um lado, cultura e processo são pilares para um ambiente de inovação seguro, por outro, fomentar iniciativas em múltiplas áreas dentro das empresas auxilia no engajamento dos times.
A diretora de RH da UPL, Luciana D’Elboux, destaca que as organizações têm assumido responsabilidade importante na formação humana, que antes pertencia à sociedade.
“Como líderes, é preciso treinar a mediação de conflitos, consciência do propósito e comunicação empática. Os jovens, da nova geração que chegam ao mercado de trabalho, vêm com conhecimentos técnico. Cabe a nós, enquanto gestores, lapidar essas habilidades sociais”, afirma Luciana.
O papel das organizações na formação de pessoas é decisivo. A troca de experiências entre profissionais mais experientes e jovens talentos fortalece a inovação e contribui para a retenção de pessoas, seja no agronegócio ou outros segmentos.
Se dentro das empresas, a responsabilidade gerencial passa por criar ambientes confortáveis e promover a comunicação empática, no campo não é diferente. Na visão de Bárbara Pacheco, CEO da VerdeNovo, o viés da liderança vem da escuta ativa – o que se faz ainda mais necessário no agronegócio, para entender dores, propósitos e conhecer, de fato, as pessoas da ponta da cadeia.
Segundo Lorena Mangabeira, líder de desenvolvimento humano e bem-estar no agro, o cuidado com os times é fundamental no dia a dia das fazendas. “Bem-estar não é ‘extra’. É preciso haver dignidade no trabalho, engajamento da equipe e longevidade da propriedade. Quando valores de família, comunidade, futuro, entram no processo decisório, as escolhas passam a considerar impactos amplos no solo, nas pessoas e no negócio”, compartilha Lorena.
Ao reunir os aprendizados sobre liderança e inovação, a mensagem final é clara: o futuro das empresas e do agronegócio passa, inevitavelmente, pelas pessoas.
Mais do que adotar novas tecnologias ou modelos de negócio, as organizações que desejam se manter competitivas precisarão investir em culturas humanas, colaborativas e resilientes. É nesse encontro, entre liderança consciente e inovação estratégica, que se constrói um crescimento verdadeiramente sustentável.
Assista na íntegra o episódio “Jornada de Inovação: Pessoas como força motriz da inovação”:
Veja também “Na Mesa com os Stakeholders: Liderança no agro – o capital humano que é diferencial de negócio”: