O relatório Insurance Banana Skins 2025 marca a décima edição da pesquisa que mapeia os principais riscos enfrentados pela indústria global de seguros. É o primeiro produzido sob a gestão da London Foundation for Banking & Finance (LFBF), instituição britânica dedicada à pesquisa e ao avanço do conhecimento financeiro, que incorporou o Centre for the Study of Financial Innovation (CSFI) em 2024. O estudo reúne a percepção de 698 profissionais e observadores de 42 países, incluindo o Brasil.
Com apoio da PwC, o estudo revela que o crime cibernético permanece entre as principais ameaças ao setor no mundo, mantendo-se há anos no topo do ranking. Em segundo lugar, surge pela primeira vez a inteligência artificial (IA), como reflexo das crescentes preocupações com os impactos e riscos associados às tecnologias generativas.
No Brasil, o tema assume a liderança pela primeira vez. O crime cibernético, que anteriormente liderava o ranking no Brasil, caiu para a segunda posição, mas continua sendo uma das ameaças mais graves para o setor.
Outros temas relevantes são a dificuldade de modernização dos sistemas legados de TI, os riscos macroeconômicos em seu nível mais alto da década e as mudanças climáticas, que continuam representando uma ameaça tanto imediata quanto de longo prazo. Ao mesmo tempo, a redução de custos sai da lista dos dez principais riscos – após ocupar o 8º lugar –, sinalizando uma mudança de foco da eficiência operacional para desafios estruturais e tecnológicos mais urgentes.
O relatório desenha um quadro de uma indústria sob intensa pressão – enfrentando ameaças externas como ciberataques, disrupção tecnológica, clima e instabilidade geopolítica – enquanto lida internamente com desafios de modernização, regulação e retenção de talentos. Esses riscos estão cada vez mais interligados, e o setor precisa se adaptar rapidamente.
“O impacto da IA sobre as empresas é positivo, mas a tecnologia representa um risco elevado quando não é bem governada. A velocidade de adoção, especialmente da IA generativa, tem superado os controles internos de muitas companhias. Os riscos vão desde decisões enviesadas ou pouco transparentes até a exposição a fraudes baseadas em deepfakes. É preciso ter estruturas claras de governança, rastreabilidade e uso ético dessas tecnologias.”