O sistema tributário global está mudando rapidamente, e o Brasil está no centro dessa transformação. A publicação Nova ordem tributária no Brasil analisa as forças que estão redesenhando a política fiscal em todo o mundo e examina como elas se traduzem no Brasil, onde a fiscalização se intensifica e duas reformas tributárias avançam em paralelo: a do consumo e a da renda. O estudo reúne dados de pesquisas da PwC, análises do ambiente regulatório e orientações práticas para líderes que querem transformar a disrupção tributária em vantagem competitiva.
“A nova ordem tributária não muda apenas a arrecadação. Transforma a maneira como empresas são avaliadas, comparadas e cobradas – por governos, investidores e pela sociedade. Para quem lidera um negócio no Brasil, isso é ainda mais urgente: duas reformas avançam ao mesmo tempo, o fisco opera com sofisticação crescente e a carga já supera 32% do PIB. A pergunta não é se o ambiente vai mudar – é se as empresas vão capturar valor nessa disrupção ou apenas reagir a ela.”
A inteligência artificial está rompendo o vínculo entre criação de valor e localização física. Plataformas monetizam dados em escala global, e os governos respondem em duas frentes: criam tributos digitais e usam IA para fiscalizar em tempo real. Declarações anuais dão origem a interações contínuas com o fisco, baseadas em dados. No Brasil, o SPED e o Sisam já mostram o nível de sofisticação da Receita Federal – e a apuração assistida da Reforma Tributária sobre o Consumo leva esse modelo ainda mais longe. Segundo a Global Reframing Tax Survey 2025 da PwC, 84% dos executivos brasileiros esperam que a IA generativa transforme o planejamento tributário nos próximos três anos.
Muito provável: Ampliação de tributos digitais e sobre dados aplicados a plataformas digitais e transações internacionais
Muito provável: Crescimento de sistemas de declaração de impostos com uso de IA e de fiscalização em tempo real
Provável: Incentivos tributários direcionados a setores digitais estratégicos, como IA e semicondutores
Possível: Experimentos iniciais de tributação do “trabalho” da IA ou da produção automatizada
O envelhecimento da população, o endividamento elevado e as demandas crescentes por gastos públicos forçam os governos a buscar novas fontes de arrecadação. As empresas estão na linha de frente dessa pressão. No Brasil, a carga tributária atingiu 32,4% do PIB em 2025. A pesquisa Tributos no centro, da PwC Brasil, confirma: 51% das empresas apontam o aumento da carga sobre a cadeia de valor como a principal preocupação, e 44% temem impacto negativo no capital de giro. A fiscalização também se intensifica – interpretações mais restritivas da legislação aumentam litígios mesmo sem mudanças formais nas regras.
Muito provável: Aumento de tributos sobre empresas e ampliação da implementação do Pilar 2 da OCDE/G20
Muito provável: Fiscalização mais rigorosa e aumento de litígios tributários
Provável: Expansão de tributos sobre consumo de base ampla, incluindo tributos sobre carbono e digitais
O mundo se reorganiza em blocos regionais e a política tributária vira um instrumento de estratégia industrial. Tarifas, créditos locais e incentivos à relocalização produtiva redesenham as cadeias de suprimento e ampliam os riscos fiscais para empresas com operações globais. Para o Brasil, isso não é abstrato: as tarifas recíprocas impostas pelos Estados Unidos desde abril de 2025 ilustram como mudanças abruptas, motivadas por disputas geopolíticas, afetam custos, margens e decisões de investimento. A pesquisa Tributos no centro mostra que 41% das empresas antecipam alto impacto da Reforma Tributária na área de suprimentos e 38% na área comercial.
Muito provável: Crescimento do nacionalismo tributário e fragmentação do sistema global
Muito provável: Tarifas, impostos ou incentivos para promover indústrias domésticas e a relocalização da produção
Desigualdade e escrutínio público levam governos a concentrar atenção nos entes percebidos como vencedores – multinacionais, setores de alto crescimento e grandes patrimônios. A tributação torna-se cada vez mais um instrumento de sinalização política. No Brasil, o mecanismo de cashback para populações de menor renda e a Lei nº 15.270 – que instituiu retenção na fonte sobre lucros e dividendos e tributação mínima para altas rendas – são exemplos concretos dessa tendência. Transparência e reputação fiscal passam a pesar tanto quanto a conformidade regulatória.
Muito provável: Tributação mais pesada sobre setores altamente lucrativos e grandes patrimônios
Muito provável: Uso da política tributária para indicar compromisso com prioridades sociais
Governos usam a política tributária para acelerar a descarbonização: penalizam atividades com altas emissões e oferecem incentivos a investimentos sustentáveis. No Brasil, o Imposto Seletivo incidirá sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente; a redução de alíquotas do IBS e da CBS vai beneficiar veículos elétricos e movidos a biocombustíveis; e o Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono criou créditos fiscais para empresas que produzam ou consumam hidrogênio limpo. Para cadeias de suprimento intensivas em carbono, penalidades diretas, perda de incentivos e pressão de investidores tornam a inação cada vez mais custosa.
Muito provável: Ampliação dos incentivos ao investimento sustentável
Muito provável: Maior impacto tributário das divulgações climáticas obrigatórias
Provável: Penalidades fiscais para atividades e ativos não sustentáveis
Possível: Expansão gradual da precificação de carbono
Nosso estudo apresenta cinco ações para líderes que querem converter a disrupção tributária em oportunidade:
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A mensagem central é direta: tributos fazem parte de todas as grandes decisões empresariais, desde onde investir até como construir confiança com investidores e com a sociedade.